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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 661

A cirurgia de Delfina foi marcada para o outono, ano em que ela completaria sete anos.

O som das folhas secas sussurrava lá fora, enquanto o longo corredor que levava à sala de cirurgia permanecia imerso em um silêncio absoluto.

Com três meses de antecedência, Norberto havia começado a contatar os melhores especialistas em cirurgia cardiovascular dentro e fora do país.

Eles avaliaram opções após opções de tratamentos.

E confirmaram exaustivamente cada risco possível.

Tereza revisou todo o material junto com ele inúmeras vezes, sem ousar relaxar por um segundo sequer.

Ambos pertenciam àquele grupo de pessoas que nunca pareciam ter medo de nada.

Eram orgulhosos, confiantes e donos da última palavra em suas respectivas áreas.

Contudo, naquele dia, os dois estavam aterrorizados.

Na noite anterior à cirurgia, Delfina foi instalada em um quarto particular e vestiu um pijama de hospital.

O tecido com listras azuis e brancas, largo demais, a fazia parecer ainda mais frágil e magrinha, com meia cabeça a menos de altura do que as crianças da mesma idade.

Com os cabelos presos em duas trancinhas, Tereza fazia companhia a ela enquanto liam um livro.

— Mamãe, agorinha mesmo pousou um passarinho ali. É tão alto aqui, ele é muito corajoso por voar até aqui em cima, né? — Enquanto folheava as páginas, a menina se distraiu de repente, olhou para a janela e apontou com o dedinho.

O coração de Tereza sentiu um aperto doloroso.

— Sim, o passarinho é muito corajoso. E a Delfina também é uma guerreira muito forte. — Ela puxou a filha para um abraço apertado, apoiando o queixo nos cabelos da menina.

— Mamãe, eu não vou morrer, vou? — perguntou Delfina em um sussurro, apoiada no peito da mãe.

— Claro que não. Você vai ficar muito bem, meu amor. O papai e a mamãe estarão aqui fora te esperando o tempo todo. — As lágrimas brotaram nos olhos de Tereza, mas ela as conteve com todas as forças, respondendo com a voz macia.

Delfina não disse nada por alguns instantes.

Então, ela esticou os bracinhos e abraçou o pescoço da mãe, agarrando-se a ela com força, muita força.

Tereza podia sentir o corpinho da filha tremendo; ela também estava morrendo de medo.

Finalmente, as lágrimas escorreram, e Tereza escondeu o rosto no ombro da filha, sem coragem de deixar o choro escapar.

Norberto estava parado na porta do quarto, segurando a janta nas mãos.

Ao se deparar com a cena das duas abraçadas lá dentro, decidiu não atrapalhar e encostou-se no batente da porta.

Ele testemunhou a luta de Tereza para segurar as lágrimas.

Os olhos dele também ficaram marejados.

A memória o transportou para o dia em que a filha nasceu; tão pequenininha, toda enrugadinha, berrando a plenos pulmões porque estava com fome.

Ele ficara paralisado, sem coragem de pegá-la no colo.

Capítulo 661 1

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