Alfredo entrou, colocou as flores de lado e acomodou-se na cadeira ao lado da cama.
Ele vestia um terno cinza-escuro e exalava uma postura impecável, parecendo ter acabado de sair de uma sala de reuniões.
— Como você está se sentindo? — perguntou ele.
— Bem melhor. Obrigada por segurar as pontas na Apex — agradeceu Hera, assentindo com a cabeça.
— Apenas descanse. Não se preocupe com mais nada, o Diretor Cardoso também está ajudando por lá — disse Alfredo, com uma expressão de quem não se importava com o esforço.
Ao ouvir isso, o olhar de Hera escureceu levemente.
Ela estava internada havia quase dez dias e Norberto só lhe dera um único telefonema, e ainda por cima sobre trabalho. Quanto a aparecer pessoalmente, ele nem sequer dera as caras.
Ela já estava começando a duvidar se Norberto ainda a considerava uma paciente em recuperação.
O silêncio tomou conta do quarto. Hera abaixou a cabeça; nas costas de sua mão, o cateter intravenoso ainda estava espetado, deixando escapar um leve traço de sangue, o que lhe conferia um ar de profunda fragilidade.
Os olhos de Alfredo marejaram de pena.
— Alfredo, eu sei que você se preocupa muito comigo... — disse Hera, quebrando o silêncio. — Mas é melhor que você não venha mais me visitar.
Alfredo sobressaltou-se e ergueu o olhar para ela.
— Eu não quero dar margem a mal-entendidos. Você me compreende?
— Eu compreendo — assentiu Alfredo levemente.
— Então, cuide-se. Vou voltar para a empresa. Se precisar de qualquer coisa... — disse Alfredo, que aguardara alguns instantes antes de se levantar, enquanto Hera relaxava os ombros.
— Não será necessário — cortou Hera, com um sorriso fraco.
Alfredo sabia que Hera jamais voltaria seus olhos para ele, mas, no fundo, sempre carregara um pingo de esperança.
À tarde, Jessica apareceu trazendo uma garrafa térmica.
— Mãe! — chamou Hera docemente, largando o celular na hora em que Jessica entrou.
— Trouxe uma canja de galinha. Ainda está um pouco quente, então espere esfriar e peça para a Dona Zara te servir umas duas tigelas — disse Jessica, sentando-se à beira da cama após murmurar em resposta.
Eles finalmente iriam assinar os papéis do divórcio?
Hera soltou um suspiro abafado. Teoricamente, era para ela estar eufórica, mas agora não conseguia encontrar motivo nenhum para alegria.
Naqueles dias, Norberto não a visitara nenhuma vez. Estava tão diferente de antes, quando ele demonstrava carinho por conta própria e, diante de qualquer contratempo, era o primeiro a aparecer para ajudá-la.
Contudo, o divórcio deles já era um grande obstáculo superado. Pelo menos agora ela poderia começar a planejar os próximos passos para o futuro.
Olhando para o céu lá fora, Hera recostou-se na cama e começou a traçar suas jogadas na mente, calculando cada movimento meticulosamente.
Na manhã seguinte, Jessica apareceu novamente. Dessa vez, não trouxe nada nas mãos; apenas sentou-se na cadeira ao lado da cama enquanto Hera dormia.
Hera não conseguia ter um sono tranquilo. Com a constante sensação de estar sendo observada, acordou sobressaltada e deparou-se com Jessica sentada ao seu lado, encarando-a fixamente, sem nem piscar.
— Mãe, você veio. Chegou faz tempo? Por que não me acordou? — disse Hera, apressando-se em sentar na cama, com um sorriso no rosto.
— Como você está se sentindo hoje? — indagou Jessica.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......