Hera achava a atitude de Tereza bastante ridícula. Sem conseguir ter outro filho, ela instigava a própria filha a dizer disparates. O resultado disso, porém, seria apenas distorcer a mente da criança, o que não traria nada de bom.
Norberto não pensou muito a respeito daquele incidente, pois conhecia a própria filha. Ela não ficaria triste sem motivo. Havia sido apenas a promessa que ele lhe fizera da última vez que havia desencadeado aquela reação emocional tão intensa.
O jantar continuou basicamente em torno de Hera e das crianças. A matriarca nunca gostou do fato de a família ser pequena, ela desejava uma descendência farta e próspera.
Ao pensar em uma descendência numerosa, a idosa não pôde deixar de olhar para Norberto. Se ele realmente se divorciasse de Tereza, inevitavelmente buscaria uma nova esposa e, sem dúvida, teria que ter mais filhos.
Embora a matriarca admirasse muito a capacidade técnica de Tereza, sabia que ela era orgulhosa, distante e muito independente em suas opiniões. Fazer dela uma máquina de gerar bebês seria impossível, o que explicava por que, após sete anos, eles haviam tido apenas Delfina, sua única herdeira.
Se, no futuro, Norberto se casasse com uma mulher menos ambiciosa profissionalmente, que fosse dócil, fácil de controlar e obediente, expandir a árvore genealógica da família seria muito mais simples.
A matriarca refletiu com certo pesar. De fato, não se podia ter tudo; ao tentar ganhar de um lado, acabava-se perdendo do outro. No fim, era preciso fazer uma escolha.
Delfina comeu apenas um pouco e perdeu a vontade. Norberto não teve escolha a não ser dar o celular à filha para que ela jogasse algo, e aproveitou a deixa para sair e fumar um cigarro. Hera também arranjou uma desculpa para ir ao toalete.
No final do corredor da área das salas reservadas, havia um belo jardinzinho ao lado do espaço de fumantes. Norberto pegou um cigarro, mas não encontrou o isqueiro.
Foi então que dedos pálidos e delicados se aproximaram, estendendo-lhe um isqueiro suavemente.
Norberto achou que fosse Hera, mas, ao virar o rosto, deparou-se com a Sra. Franco, Eduarda Franco.
— O Diretor Cardoso estava procurando por isso? — perguntou Eduarda. Ela estava por acaso na sala ao lado e havia visto a silhueta de Norberto, decidindo segui-lo. A Família Franco tinha um projeto que desejava apresentar ao Grupo Altus para uma possível parceria. Como seus subordinados não haviam tido competência para avançar nas negociações, Eduarda tivera que agir pessoalmente.
A chance de esbarrar no grande diretor de uma corporação assim era muito remota, e Eduarda interpretou aquilo como um arranjo do destino, sentindo o coração transbordar de alegria.
— Obrigado! — agradeceu Norberto polidamente, ao pegar o isqueiro.
Eduarda sorriu.
— O Diretor Cardoso também veio a um jantar de negócios?
Em seguida, colocou o isqueiro sobre um móvel próximo e, antes de se virar para ir embora, avisou a Hera:
— O cheiro de cigarro aqui está forte, é melhor você não ficar neste ambiente.
Ao ouvir aquela demonstração de carinho, Hera sentiu como se todas as suas frustrações encontrassem um alívio. Lançou um olhar meigo, com um toque de censura, a Norberto, mas não saiu do lugar de imediato.
— Não tem de quê, Diretor Cardoso. — Eduarda aproveitou para sorrir e se despedir de Norberto.
A figura alta de Norberto desapareceu pelo corredor, voltando à sala.
Eduarda pegou o isqueiro que as mãos de Norberto haviam tocado, girando-o de forma distraída entre os dedos, e virou-se para Hera:
— Eu também preciso voltar à minha sala, ainda tenho assuntos importantes para tratar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......