Hera apenas murmurou em concordância.
Naquele exato momento, Norberto chegou, trazendo Delfina Cardoso nos braços. Assim que entrou, a menina, muito educada, cumprimentou todos os mais velhos presentes.
— Delfina, venha aqui com a bisavó. — A matriarca olhou para Delfina e, inevitavelmente, lembrou-se de Tereza. Ela espiou a porta, mas ninguém mais entrou, o que a deixou um pouco desapontada.
Delfina correu imediatamente para perto da bisavó e sentou-se ao lado dela.
A idosa estendeu a mão para acariciar os cabelos da menina e perguntou, sorridente:
— Delfina, a bisavó quer te perguntar uma coisa.
A pequena assentiu com alegria:
— Claro! O que a senhora quer saber?
A matriarca apontou imediatamente para Hera e disse:
— A titia tem bebezinhos na barriga, um irmãozinho e uma irmãzinha. Você vai gostar deles, Delfina?
Delfina ficou paralisada por um instante. Seus grandes olhos escuros piscaram enquanto ela encarava Hera.
Hera sorriu de maneira terna para a menina e, instintivamente, repousou a mão sobre o ventre de forma protetora.
Delfina a observou por dois segundos e, de repente, deu meia-volta, correndo para os braços de Norberto. Jogou-se contra ele e tentou se agarrar com força. Surpreso, Norberto perguntou suavemente:
— O que foi, Delfina?
Os olhos da menina encheram-se de lágrimas, como se algo a tivesse machucado profundamente. Fazendo um biquinho, deixou grossas lágrimas escorrerem e declarou:
— Eu só vou gostar do irmãozinho ou irmãzinha se nascerem da minha mamãe!
Todo o restaurante caiu em um silêncio repentino.
Todos olharam chocados para a reação de Delfina. Como ela podia ter começado a chorar tão de repente?
Naquele momento, Norberto não sabia se ria ou o que fazia. O coração sensível de sua filha mudava tão rápido quanto o clima na primavera; em um segundo o tempo fechava.
Jessica ficou atônita, com o garfo suspenso no ar segurando um pedaço de carne.
Hera também permaneceu rígida em sua cadeira. O rosto dela foi perdendo a cor gradualmente, e, embora abrisse a boca, nenhuma palavra saiu.
Norberto passou bastante tempo consolando-a até que Delfina finalmente concordasse em comer. Assim, ele a levou de volta à sala reservada.
Hera estava sentada de cabeça baixa. Já não tinha muito apetite e, naquele momento, seria incapaz de comer qualquer coisa.
O fato de Delfina não ter dito que gostava dos bebês em seu ventre, significava que os odiava.
Hera sentiu um calafrio na alma. Quando Delfina era mais nova, ela também a tratara muito bem, comprando lindos vestidos e brinquedos divertidos. Delfina costumava abraçá-la pelo pescoço e fazer manha. Naquela época, como Hera não tinha filhos, tratava a menina quase como se fosse sua. No entanto, pensando agora, Delfina amaria apenas a própria mãe, por melhor que ela a tratasse, todo o esforço seria em vão.
Ao ver que Delfina estava mais calma, a matriarca soltou um leve suspiro.
— Certo, vamos jantar. Não levem as palavras de uma criança tão a sério.
Jessica também tentou suavizar a situação imediatamente:
— Exatamente. Como poderíamos levar a sério o que uma criança diz? Ter novos bebês na família é motivo de grande alegria.
O ânimo de Hera atingiu o fundo do poço em um instante. Ela lançou um olhar furtivo para Delfina, que se aninhava no abraço de Norberto. Como uma criança tão pequena podia reagir daquela maneira?
Estava claro que alguém, pelas costas, a havia ensinado a falar aquilo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......