Enquanto Eduarda dava um passo à frente, Hera também avançou, bloqueando claramente o caminho.
— Eduarda, o que você está tramando?
Eduarda franziu a testa, encarando-a:
— O que você quer dizer com isso? Não estou entendendo.
— Deixe de fingimento. — Hera já havia notado que Eduarda parecera se exibir de propósito para Norberto no encontro anterior. Suas intenções não poderiam ser mais evidentes.
Eduarda soltou uma risada repentina, repleta de ironia.
— Sra. Lopes, você é apenas a irmã dele, não a esposa. Não acha que está se metendo onde não é chamada?
— O que você disse? — Hera reagiu como um gato que teve o rabo pisado, estreitando os olhos furiosamente.
O sorriso não abandonou os lábios de Eduarda, e seu tom manteve-se firme, sem se abalar.
— Eu disse que você não é a esposa dele. Sra. Lopes, sugiro que se preocupe apenas com a sua própria vida.
Com isso, Eduarda passou por ela de ombros erguidos, caminhando a passos largos, sem lhe demonstrar a menor cortesia.
Hera raramente havia sido desprezada daquela maneira. Virou-se bruscamente, cravando o olhar nas costas da outra, mas Eduarda simplesmente a ignorou por completo.
Como herdeira legítima da linhagem principal da Família Franco, Eduarda naturalmente desprezava uma filha adotiva tão ardilosa como Hera. Além disso, as informações que circulavam nos altos círculos sociais em que a Família Franco transitava eram muito mais precisas do que as fofocas externas. A ambição de Hera em usurpar o lugar de Tereza era de conhecimento geral.
Se quem tivesse bloqueado o seu caminho hoje fosse Tereza, Eduarda certamente teria ficado apreensiva e cedido espaço.
Contudo, diante de alguém descarada que desejava desesperadamente ser a amante, Eduarda não via motivo algum para tratá-la com respeito.
Uma angústia sufocante tomou conta do peito de Hera. Ela não esperava tamanha arrogância por parte de Eduarda.
Quando Hera voltou para a sala reservada, Norberto já havia partido com Delfina nos braços, e uma sensação repentina de vazio invadiu seu coração.
— O que está acontecendo? Desde quando eles vão se separar, e por que eu não sabia de nada? — Uma fúria indignada tomou conta de Jessica. Ela olhou para a matriarca com uma expressão de ansiedade palpável: — Mãe, como eles podem se divorciar? A Tereza não acabou de assumir a diretoria de pesquisa da Vitalis Futuro? Estavam tão bem, por que estão se separando agora?
A matriarca olhou para Jessica, uma mulher cujas preocupações se limitavam apenas à própria aparência e superficialidade, e por um momento ficou sem palavras. Mas era de se esperar que uma tola como Jessica não percebesse o que se passava sob o seu próprio teto.
— Durante estes sete anos, Norberto não lhe ofereceu amor suficiente. Quando uma mulher é privada de afeto por tanto tempo, chega uma hora em que ela simplesmente desmorona. Se há culpa, Norberto também é culpado. Deixe para lá, essas coisas são complexas de explicar. O ciclo deles terminou. Falar sobre amor ou falta dele, a essa altura, é fútil e não leva a lugar algum. — Enquanto falava, a idosa levantou-se. — Estou exausta, vou para casa.
Ao lado dela, Dona Lídia apressou-se em levantar para amparar a idosa até a saída da sala.
Hera, que estava próxima à porta, afastou-se rapidamente para o lado quando viu a matriarca se aproximar.
Antes de sair, a velha lançou a Hera um olhar indecifrável e complexo, fazendo a mulher baixar a cabeça imediatamente.
Assim que a matriarca saiu, a raiva de Jessica transbordou de forma explosiva:
— A Tereza tem a audácia de se divorciar do meu filho? Ela se acha muito poderosa, esquecendo de tudo o que a Família Cardoso lhe deu nestes sete anos! Ela entrou na lista das mulheres mais ricas do país, não foi pelas costas da nossa família? Como ela se atreve... Hera, me diga, como aquela mulher teve a coragem de rejeitar o meu filho?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......