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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 402

Norberto ouviu o badalar de um sino ao longe, misturado às batidas aceleradas do seu próprio coração, que ressoavam como tambores. O arrependimento o atingiu de imediato, por que tinha feito aquela pergunta? Talvez, naquele momento e lugar, fosse a pior hora para tocar no assunto.

Será que Tereza responderia de forma direta? Ou, mais uma vez, tentaria fugir do assunto?

— Desculpe, mas não quero falar sobre isso com você — disse Tereza, esquivando-se exatamente como ele previra. Seu semblante foi se tornando cada vez mais frio até que ela deu as costas e marchou a passos largos na direção do carro.

Norberto ficou paralisado no mesmo lugar por um longo tempo, até que ela já estivesse distante, só então, forçou as pernas a se moverem e correu atrás dela.

A luz do luar incidia sobre ela, alongando sua sombra pelo chão. Norberto a seguia de perto, passo a passo, a mente vagando por uma fração de segundo. Ele percebeu que nunca havia caminhado logo atrás dela daquele jeito, no passado, ou andavam lado a lado, ou ele ia à frente, com Tereza sempre alguns passos atrás.

O sentimento que tomou conta dele naquele instante revelou-se estranhamente sutil.

Ao retornarem ao hotel, Tereza abriu a porta com o cartão magnético e entrou diretamente. Norberto ficou parado no corredor, querendo dizer algo, mas acabou optando pelo silêncio.

Aquela viagem servia como um espelho, refletindo de maneira implacável e cristalina a verdadeira situação de sua relação com Tereza.

Se fosse qualquer outro casal em viagem, com certeza dividiriam o mesmo quarto. Mas Tereza havia exigido um quarto só para ela, deixando Norberto instalado logo na porta ao lado.

— Diretor Cardoso, ainda acordado? — cumprimentaram alguns executivos que passavam pelo corredor.

— Já estou indo deitar — respondeu Norberto, esboçando um sorriso.

Após dizer isso, passou o cartão e entrou em seu quarto, carregando no peito um sabor amargo e um incômodo persistente.

Haviam combinado de manter as aparências, mas Tereza claramente não se importava com a posição dele. Sendo assim, de que servia aquele acordo pré-nupcial que haviam assinado?

Norberto nunca fora um homem de se prender a detalhes insignificantes, mas, naquele momento, sentiu que Tereza era quem não estava seguindo as regras estabelecidas.

Ao se recordar das palavras do vice-presidente da Rosh no jantar, Norberto deu uma risada silenciosa e irônica.

A "esposa formidável". O problema era que não havia ninguém ao seu lado na cama, ele e Tereza pareciam mais sócios comerciais, parceiros de negócios, do que marido e mulher.

Norberto deitou-se de costas na cama, apoiando a cabeça nos braços. Olhou para o relógio e suspirou, sabendo que a noite ainda seria muito longa.

Ao ver Tereza dominar as discussões técnicas com tanta propriedade, ele, de forma inesperada, sentiu saudade daquela mulher caseira: aquela que passava horas na cozinha preparando remédios tradicionais para ele, que lhe cozinhava sopas para curar ressacas, e que massageava seus ombros, pescoço e têmporas com delicadeza sempre que ele chegava exausto do trabalho.

— Sr. Cardoso, vamos deixá-los trabalhando à vontade. Que tal subirmos ao escritório no segundo andar para tomar um café? — convidou o vice-presidente com um sorriso simpático.

— Claro — respondeu Norberto, assentindo com um sorriso e trazendo seus pensamentos de volta à realidade.

Com o fim da visita, a equipe de Norberto organizou um almoço para reunir os dois grupos. As conversas giraram, em sua maior parte, em torno do trabalho. Norberto observava Tereza no centro das atenções ao lado do diretor técnico da Rosh — um homem na casa dos trinta anos, atraente, charmoso e que compartilhava da mesma aura de autoridade que ela possuía.

Uma sensação sufocante tomou conta do peito de Norberto, intensificando-se quando Tereza, no meio de uma frase, corou visivelmente sob o olhar atento do outro homem. Na sua pele clara e macia, o rubor floresceu como as pétalas de um pessegueiro em abril, carregado de uma timidez encantadora que parecia ansiar pela profundidade da primavera.

Norberto levantou-se e foi ao banheiro. No caminho de volta, sentiu uma vontade repentina de fumar, dirigiu-se à área de fumantes e, ao chegar, ouviu vozes conversando.

A princípio não deu importância, até se dar conta de que o assunto da conversa era o fato de ele e Tereza estarem dormindo em quartos separados.

— Parece que é verdade, a Dra. Leal e o Diretor Cardoso... o divórcio está prestes a sair.

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