— Não tem jeito. Como uma mulher tão excepcional e orgulhosa quanto a Dra. Leal suportaria qualquer ofensa?
— Ela e o Diretor Cardoso não parecem partilhar do mesmo caminho, um na área de gestão, a outra focada na tecnologia. Duas personalidades tão fortes e independentes realmente teriam dificuldade em administrar um casamento.
— Mas eles não têm uma filha juntos?
— Um filho não é o suficiente para salvar um casamento sem amor.
— Fico imaginando se a Dra. Leal se casará de novo após o divórcio, e que tipo de homem ela escolheria.
Os outros dois riram. Em suas palavras, não havia preconceito nem desrespeito para com Tereza:
— Uma mulher poderosa como a Dra. Leal faria o par ideal com um homem mais caseiro e voltado à família. Imagine que maravilha para ela, voltar para casa após um longo dia de trabalho e ter alguém para cuidar das crianças e preparar uma refeição quente e aconchegante.
— Isso não é basicamente o que nós, homens, queremos? Esposa, filhos e um lar quentinho. No caso da Dra. Leal, seria marido, filhos e um banho quente à espera.
Os homens soltaram gargalhadas imediatamente.
Norberto tensionou o corpo inteiro, como se tivesse sido atingido por chibatadas. Ele perdeu instantaneamente qualquer vontade de fumar, virou-se de costas e retornou ao salão privado.
Tereza continuava absorta em sua conversa. O diretor técnico da Rosh a fitava com um olhar carregado da profunda admiração que só um colega de profissão do mesmo nível poderia ter. Aquele olhar acendeu de supetão uma fogueira de ciúmes no peito de Norberto.
Estava claro para ele: Tereza apreciava imensamente estar no centro das atenções, desfrutando da admiração alheia.
Após o fim do almoço, o grupo de Norberto partiu de volta ao hotel para descansar. No trajeto, sentado no carro, ele olhou para o veículo que vinha logo atrás, Tereza e Henrique seguiam juntos, com a desculpa de que ainda precisavam debater assuntos de trabalho.
Norberto fitava o exterior pela janela do carro, enquanto a conversa dos subordinados ecoava em sua mente. Pelo visto, o fato de estarem dormindo em quartos separados já havia exposto para todos a verdadeira crise do casal.
Ele apertou a mão em punho e a relaxou em seguida.
Assinaram o acordo pré-nupcial para quê? Apenas como enfeite?
Ao chegar ao hotel, Norberto estava entrando no elevador quando viu Tereza se aproximar, ela entrou logo atrás, ostentando sua habitual expressão neutra.
Os outros subordinados, ao notarem o casal junto no elevador, optaram por aguardar o próximo de forma bastante natural, para não interrompê-los.
— As reuniões de hoje correram razoavelmente bem — comentou Norberto, lançando um olhar para Tereza.
— Uhum!
— A Rosh disponibilizou mais alguns projetos de tecnologia para compartilharmos.
— Uhum!
Norberto franziu a testa, observando aquela mulher que apenas assentia e resmungava em concordância.
A cada aceno, parecia que ela estava tentando silenciá-lo, fazendo o possível para encurtar qualquer diálogo com ele.
O elevador chegou ao andar desejado, as portas se abriram e Tereza saiu com passos firmes e largos.
— Tereza, espere um instante. Preciso falar com você — disse Norberto, determinado a ter uma conversa franca desta vez.
— Sobre o quê? Estou um pouco cansada. Podemos falar sobre isso depois? — perguntou Tereza, que genuinamente só queria dormir.
— Não vou tomar muito do seu tempo, apenas cinco minutos — rebateu Norberto.
Naquele momento, Tereza saiu do banheiro após tomar banho. Como havia suado bastante durante o dia, a água a deixara consideravelmente mais relaxada e refrescada, também havia lavado os cabelos longos e se encontrava no banheiro usando o secador.
Norberto, em um movimento repentino, caminhou até ela e encostou-se no batente da porta do banheiro, observando seus longos cabelos macios e escuros. O movimento gracioso dos fios ao vento do secador lembrava penas dançando, roçando de leve no coração dele, provocando um comichão quase imperceptível.
— Quer que eu te ajude...? — ofereceu Norberto subitamente, lembrando-se de quantas vezes Tereza, no passado, implorara pela sua ajuda. Como tinha muito cabelo e ele era bastante comprido, demorava muito para secar, em dias assim, ela se aconchegava no sofá como uma gatinha preguiçosa e pedia que ele fizesse aquele favor. E, em quase todas as ocasiões, ele fazia.
— Não precisa! — recusou Tereza de imediato.
— Tem certeza? — insistiu ele, franzindo a testa.
— Não!
Norberto não se afastou, permaneceu recostado ali, observando o reflexo dela através do espelho.
O ruído do secador não era alto, e sim um zumbido suave que não os impedia de conversar.
— Ter que agir em público fingindo ser um casal apaixonado é algo que faz você se sentir muito ofendida? — indagou Norberto de sopetão.
— Norberto, não vamos entrar nesses assuntos. O trabalho deve vir em primeiro lugar. Eu recebo dividendos do grupo e meu salário da empresa. Se isso for necessário para garantir o sucesso dos projetos, então cumprir essa encenação faz parte das minhas obrigações — respondeu Tereza, levemente surpresa, mas mantendo o tom gélido.
— Obrigações? — repetiu Norberto, estagnado no mesmo lugar. Soltou uma risada rascante e quase inaudível: — Então, aos seus olhos, não restou nada entre nós além de meras obrigações?
— E o que mais poderia sobrar? — devolveu Tereza, virando a cabeça para encará-lo com dureza: — Sabe de uma coisa, Norberto? Pessoas hipócritas demais se tornam repugnantes.
O rosto imponente de Norberto congelou. Tereza realmente acabara de chamá-lo de hipócrita?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......