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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 398

O coração de Norberto deu um solavanco repentino. Evidentemente, ele também não havia pensado nessa questão. Sempre acreditou que o fato de seu irmão mais velho deixar dois descendentes seria o suficiente para confortar a alma dele no céu, mas, pensando bem agora, havia questões muito mais reais pela frente que não podiam ser ignoradas.

— Agora pouco, vi uma garotinha no quarto ao lado que levou um tombo e chorou por um longo tempo. O pai dela ficou agachado ao seu lado, consolando-a, encorajando-a, ensinando como lidar com aquilo e como evitar se machucar de novo. Se os meus filhos caírem no futuro e enfrentarem dificuldades, além de mim, quem vai ensiná-los a serem corajosos? A superarem? — Enquanto Hera falava, as lágrimas começaram a rolar silenciosamente por seu rosto, já tomada pela ansiedade em relação ao que estava por vir.

Norberto pareceu mergulhar em silêncio. Aquela era, de fato, uma questão bastante palpável que exigia ser encarada de frente.

— Fique tranquila. Além de você como mãe, as crianças também têm uma família. Se você não souber como educá-los, eu vou ajudá-la. Tem também a nossa mãe e a avó, todos nós ajudaremos na criação deles. Isso não é um fardo só seu. — Naquele instante, Norberto não sabia ao certo que palavras usar para confortá-la, mas a confusão, o desamparo e a tristeza nos olhos de Hera claramente precisavam de algum alento e incentivo para que ela tivesse a coragem de seguir em frente sozinha por aquele caminho.

— Eu sei, sei que vocês vão me ajudar, mas eu ainda... não estou preparada para ser uma mãe solteira. Norberto, eu tenho tanto medo, medo de não estar amando meus filhos, e sim os machucando. — Naquele momento, Hera parecia ter perdido toda a sua bravura. Ela se debruçou sobre os braços, com a voz baixa e rouca, completamente perdida.

— Hera, não chore. Sempre haverá um jeito de resolver tudo. Acredite em mim, você não está cuidando deles sozinha, você tem família. — Ao vê-la chorar de forma tão desamparada e temendo que seu estado emocional pudesse afetar o desenvolvimento dos bebês, Norberto baixou o tom de voz. — Pronto, chega de chorar, está bem? O médico disse que você precisa manter a estabilidade emocional. Pelas crianças, você precisa ser forte.

Hera tentou se recompor, contendo as lágrimas e enxugando o canto dos olhos antes de assentir. — Obrigada, Norberto. Obrigada pelo seu conforto. No meu momento de maior desespero e medo, ter você aqui fez com que eu perdesse o pânico instantaneamente.

Enquanto Hera ainda soluçava, Norberto estendeu a mão, pegou um lenço de papel e o entregou a ela. — Enxugue essas lágrimas, não fique pensando bobagens e descanse bem.

Hera enxugou o rosto e perguntou: — Norberto, como andam as coisas na empresa ultimamente? O que disseram do lado da Rosh?

Norberto não escondeu nada dela e falou diretamente sobre a viagem de negócios que faria com Tereza.

Hera paralisou por um instante e, olhando para o homem à sua frente, indagou: — Norberto, esse assunto já foi entregue à Vitalis Futuro, e a Tereza é alguém capaz de assumir grandes responsabilidades. Sendo ela a encarregada, você deveria estar tranquilo, não é? Você não poderia deixar de ir desta vez?

Norberto hesitou por um segundo, unindo levemente as sobrancelhas. — Isso é trabalho. Mesmo que a Tereza seja a responsável, o pessoal da Rosh precisa que eu vá pessoalmente supervisionar. Eu preciso ir.

Ao vê-la com aquela postura tão compreensiva e dócil, Norberto realmente sentiu uma pontada de pena. Pensou em como ela antes fora a joia mais preciosa da Família Cardoso, a esposa delicada protegida pelo seu irmão mais velho e também a irmã mais nova que ele mesmo viu crescer e se tornar forte. O caminho que a aguardava agora era o de uma mãe solteira, criando dois filhos sozinha enquanto ainda tentava batalhar por uma carreira. Norberto suspirou. Teria ela já provado todos os doces da vida para que, agora, o destino lhe entregasse apenas a amargura?

— Se precisar de algo, me ligue a qualquer momento. — recomendou Norberto antes de sair.

— Uhum. Faça uma boa viagem e espero que você e a Tereza voltem vitoriosos. — Hera exibiu um sorriso que parecia sincero ao falar com Norberto.

Norberto assentiu e, logo após abrir a porta, discou o número de Jessica. — Mãe, onde você está? Tenho um assunto urgente para falar com você. Precisamos nos ver.

Jessica respondeu com um tom preguiçoso: — Estou em um tratamento estético com as minhas amigas, se for algo urgente, pode falar por telefone.

— Mãe, meu voo para fora do país é às três. Esse assunto não pode ser explicado pelo telefone, estou indo encontrar você. — A voz de Norberto soava grave e severa.

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