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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 397

Ao ver os olhos de Tereza avermelharem repentinamente, Norberto sentiu um baque, mas logo retomou a postura e retrucou com frieza: — A Hera e eu somos família. Na empresa, somos chefe e subordinada. Não há motivo para você ficar criando tantas teorias.

— É mesmo? — Tereza ironizou e, virando-se, abriu a porta e foi embora.

Observando as costas eretas da esposa enquanto ela se afastava, Norberto sentiu um aperto doloroso no peito.

As palavras contidas de Tereza e o ressentimento em seu olhar o deixaram pensativo. Será que ela já sabia da gravidez de Hera?

Uma forte ansiedade apoderou-se de Norberto. Contudo, aquele assunto precisava continuar em segredo. Ele não queria que Hera, já debilitada pelos cuidados médicos, sofresse com o julgamento alheio.

Na manhã de terça-feira, Tereza foi avisada de que teria um voo às três da tarde para a sede da Rosh, a fim de discutir o projeto. Imediatamente, organizou a sua equipe para separar os documentos e aguardar o embarque.

Por volta da uma da tarde, a equipe da Apex tomou conhecimento do assunto. Rafaela, na condição de assistente de Hera, não hesitou em ser a primeira a comunicar o fato.

— Diretora Lopes, acabei de receber a notícia sobre o projeto da Rosh. A Tereza tem voo às três da tarde no jato particular do Diretor Cardoso. E dizem que o Diretor Cardoso fará questão de acompanhá-la pessoalmente.

Acompanhá-la pessoalmente?

As palavras cravaram-se no peito de Hera como agulhas, apertando-lhe o coração. Ela apertou o celular e respondeu com voz rouca: — Entendi.

— Diretora Lopes, quando você volta para assumir o controle? A empresa anda numa instabilidade só e todos esperam pelo seu retorno. Aquela gente da Vitalis Futuro é abominável, assim que souberam da sua doença, aproveitaram para roubar os nossos projetos. Esse tipo de covarde merece a morte! — Sendo o braço direito de Hera, Rafaela falava sem nenhum pudor. Além disso, as desavenças passadas com Tereza e Kesia Sequeira, a assistente dela, só alimentavam o desejo de xingá-las livremente.

— Meça suas palavras e tome cuidado com as suas atitudes. — advertiu Hera em tom severo.

Rafaela suou frio na hora e calou-se às pressas: — Sim, Diretora Lopes. É só dizer do que a senhora precisa que eu estarei à disposição.

Apertando o celular, Hera recobrou a consciência e murmurou: — Apenas cuide do trabalho como se deve.

Em seguida, desligou.

Do lado de fora, a paisagem anunciava o auge do outono. A chuva castigava as folhas que tombavam pelo caminho, e o céu cinzento espalhava uma sensação abafada e melancólica.

De repente, Hera sentiu frio. Não o frio causado pelo vento, mas um frio que vinha da sua própria alma.

Dessa vez, Norberto passaria três dias fora do país com Tereza. Mesmo acompanhados da equipe, estariam convivendo do amanhecer ao anoitecer numa terra estrangeira, sem as amarras da filha.

E mais do que isso: devido ao projeto, fariam as refeições juntos, teriam as mesmas reuniões e passariam boa parte do dia grudados. Hera sabia bem como era, afinal, fora dessa forma que havia convivido com Norberto na última vez em que estiveram fora.

Fechou os olhos, e uma voz aguda gritou dentro de si: Não! O Norberto não pode viajar! Eles não podem ter mais chances de ficar sozinhos!

Norberto concordou com a cabeça e só então pousou os olhos no rosto pálido de Hera.

Ao notar o suor escorrendo pela testa dele, um sentimento doce tomou conta do coração dela. Sabia que ele havia vindo o mais rápido que podia, por isso estava suado.

Com um misto de censura e respiração ofegante, Norberto a questionou: — O que deu em você? Por que resolveu levantar e andar?

— Meu corpo estava todo dormente de tanto ficar deitada, e resolvi levantar um pouco para olhar a paisagem... Nem imaginei que... — A voz de Hera foi diminuindo, simulando uma expressão de culpa.

Como a conhecia e sabia que ela sempre fora ativa por natureza, ser forçada a ficar presa numa cama devia ser insuportável. Por isso, não teve coragem de prolongar o sermão.

— Alguém lhe disse algo que a deixou alterada? — O semblante de Norberto fechou-se e os seus olhos perspicazes indicavam que ele já havia captado a verdade.

Apertando o lençol num gesto nervoso, Hera balançou a cabeça: — Não, acho que me assustei sozinha de tanto pensar bobagem.

— Pensar em quê? — inquiriu.

Virando o rosto em direção à janela, Hera sussurrou com a voz embargada: — Fiquei pensando se a decisão que tomei estava certa ou errada. Talvez eu tenha sido egoísta demais. Quando as crianças nascerem, não terão o pai por perto. Será que vão me culpar? Será que vão crescer inseguras por não terem o pai presente? Norberto, talvez... talvez essa decisão tenha sido um erro enorme.

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