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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 396

Hera ficou atônita por um instante, abaixou a cabeça e deu um sorriso contido: — Mãe, os arrependimentos fazem parte da vida. Mas quem sabe o destino não lhe conceda uma recompensa em alguma reviravolta?

Ao ouvir aquelas palavras, os olhos de Jessica se encheram de lágrimas de tristeza: — A não ser que o meu Alarico volte à vida, que outra recompensa eu poderia ter? Ele era o meu filho mais ajuizado, o mais obediente.

Jessica começou a chorar copiosamente. Lembrou de quando tentara aconselhar o filho mais novo a impor limites a Tereza, e ele a tratou com frieza, ignorando as suas palavras. Aquele contraste apenas destacava as virtudes do filho mais velho, que fora gentil, educado e o seu porto seguro desde criança. Norberto, por outro lado, tinha uma personalidade forte e enigmática. Por ter sido criado em grande parte pelos avós, nunca teve a mesma intimidade com Jessica, o que ela também considerava uma grande perda.

— Mãe, não chore. Tudo vai ficar bem, tenho certeza. — Hera estendeu os braços e a abraçou, também com os olhos vermelhos.

— Hera, eu queria tanto que o Alarico voltasse. Às vezes, na mansão, eu ainda sinto como se ele estivesse lá... — Quanto mais falava, mais triste Jessica ficava, e as lágrimas escorriam sem parar.

Hera também derramava lágrimas, mas nos seus olhos não havia a mesma dor dilacerante.

O fim de semana passou depressa e a segunda-feira chegou.

O clima tenso de trabalho logo deixou todos os funcionários em alerta máximo. Naquela quinzena, por causa do grande volume de trabalho acumulado, Tereza tinha tirado licença da clínica, com o intuito de organizar os projetos em andamento antes de voltar aos atendimentos médicos.

O projeto da Rosh era de suma importância para a Vitalis Futuro, e todos estavam focados nele.

Por volta das três da tarde, Tereza foi chamada à sede do Grupo Altus, imaginando que se tratava de alguma aprovação pendente do projeto da Rosh.

Quando Eduardo avisou pelo telefone que o Diretor Cardoso queria vê-la, o seu tom de voz soou tão formal que ela não desconfiou de nada.

Desde que a Vitalis Futuro assumiu o setor de tecnologia da Apex, a quantidade de pendências aumentou drasticamente, fazendo com que Tereza se dividisse em mil tarefas.

O elevador subiu até o andar de Norberto. Ao atravessar o corredor, todos ao redor a observavam.

Eduardo, que aguardava no corredor, adiantou-se para bater na porta ao vê-la se aproximar. Quando a porta se abriu, ele disse com um sorriso: — Dra. Leal, por favor, entre.

Ao entrar, Tereza viu Norberto de costas, de pé diante da janela de vidro. Mesmo ouvindo os seus passos, ele não se virou.

Lá fora, o céu estava nublado e ameaçador, num chove e não chove constante, com o vento zunindo sem parar.

Tereza observou aquela figura imponente que, em sua postura solitária, exalava frieza.

Norberto não disse nada, apenas a encarou em silêncio, deixando a falta de resposta falar por si.

Tereza soltou uma risada quase inaudível: — Norberto, você me chamou aqui só para me dizer isso?

Os olhos escuros de Norberto desviaram por um segundo, e o seu pomo de adão subiu e desceu antes que ele respondesse: — Tereza, não estou tentando me intrometer na sua vida, só espero que você não se esqueça de que o Henrique também faz parte da Família Cardoso. O contato profissional entre vocês é normal, mas uma intimidade excessiva... abre margem para fofocas.

— Fofocas sobre o quê? — retrucou Tereza, soltando uma risadinha irônica. — Por que as pessoas teriam esses pensamentos? Se formos investigar a fundo, você é o maior responsável por toda essa situação, não é?

— Tereza! — O tom de voz de Norberto pesou. — Estamos falando de você agora.

— Eu não tenho problema nenhum. — Tereza o encarou com franqueza. — A pessoa que tem problemas é a mesma que os cria, e essa é a parte mais ridícula disso tudo, não acha?

— O que você quer dizer com isso? — Norberto visivelmente não esperava que ela devolvesse a acusação para ele. Cruzou os braços e recostou-se na mesa, encarando-a. — Vai usar a situação entre mim e a Hera de novo para criar tempestade em copo d'água?

— Isso não é uma simples tempestade, é uma questão de moralidade. — Ao lembrar do que Hera deveria estar fazendo naquele instante, Tereza sentiu como se tivesse uma espinha na garganta. Algumas palavras exigiam coragem até para serem proferidas. Os seus olhos marejaram de ressentimento quase que instantaneamente, e ela cerrou os punhos. — Enquanto eu ainda me esforço para manter um pingo de dignidade para vocês dois, por favor, não venha me provocar.

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