Jessica não suportou ouvir aquilo. Seu rosto escureceu na mesma hora e ela encarou Filomena: — Consogra, o que quer dizer com isso? Norberto e Hera são irmãos, por que não poderiam sair juntos?
Filomena não recuou e respondeu com firmeza: — Tereza e o Sr. Cardoso são colegas de trabalho, é perfeitamente normal que saiam juntos. Onde está escrito que não se pode andar com o chefe num sábado?
— Isso é uma desculpa esfarrapada! — indignou-se Jessica.
— Mãe, não complique as coisas. Não tem problema nenhum a Tereza sair com o Henrique. — interveio Norberto.
Jessica ficou sem palavras, engolindo a seco a indignação. Olhou para o filho com repreensão.
— Delfina, vamos embora. A mamãe e a vovó vão te levar para passear, o que acha? — disse Tereza.
— Eba! Eu quero sim! — Delfina assentiu imediatamente com alegria.
Sem outra escolha, Norberto devolveu a filha para Tereza. Apenas ao se aproximar foi que notou o quanto ela estava diferente naquele dia. Suas roupas e sua maquiagem conferiam a ela um charme sedutor, mas nada vulgar.
— Senhora, primo, vou levar a Tereza e as demais para casa agora. — anunciou Henrique.
— Muito obrigado pelo trabalho. — Norberto lançou um olhar mais denso a Henrique.
— Trabalho nenhum. — Henrique claramente percebeu a advertência implícita no olhar do primo, mas não deu a mínima.
Hera observava em silêncio, mas sentia o peito apertado de angústia.
Elas tinham ido ao leilão apenas por causa daquela escultura de jade e não esperavam que Tereza a arrematasse no final. Ela saiu de mãos abanando.
Lembrar daquilo a deixou inexplicavelmente irritada. Apesar de Norberto estar ao seu lado e não ter ido embora com Tereza, Hera continuava se sentindo insegura.
— Mãe, vamos voltar também. — Hera se aproximou, segurou o braço de Jessica e aconselhou com uma voz suave.
Jessica estava com uma péssima expressão. Sentia que a atitude de Tereza ultimamente deixava muito a desejar. Não era só a frieza, até mesmo a mãe de Tereza parecia ter ganho confiança, agindo como se já não desse a mínima para ela, a sogra.
Aquela sensação de perder o controle era muito incômoda para Jessica.
Não fosse Delfina a grande fraqueza de Tereza, ela já teria entregado os papéis do divórcio e partido sem olhar para trás.
Hera se manteve calada, o que aos olhos de Jessica pareceu o comportamento de uma nora obediente, sensata e respeitosa com os mais velhos — um verdadeiro exemplo de boa mulher.
No meio do caminho, Norberto chamou Eduardo para buscá-lo. Ao vê-lo partir com uma expressão claramente abatida, Hera sentiu o coração apertar de ansiedade.
— Hera, não vá seguir o exemplo da Tereza. Uma mulher tão arrogante nunca será uma boa esposa. A cabeça dela só pensa em competição, sucesso e carreira, e ainda por cima teve uma criança com problemas. Ai, quando é que a Família Cardoso finalmente terá um bebê saudável? Isso já virou o meu maior tormento. — Assim que Norberto saiu, Jessica começou a desabafar com Hera.
Os olhos opacos de Hera se iluminaram de imediato. Ela espiou a expressão de Jessica e perguntou num fio de voz: — Mãe, a senhora gosta mesmo de crianças?
— Claro que gosto, principalmente se for do sangue da Família Cardoso. A Delfina até que é adorável, mas filhas são sempre mais apegadas às mães, e ela acaba ficando cada vez mais distante de mim, a avó dela. — respondeu Jessica sem pensar muito.
— Como Tereza cuida mais dela, é natural que sejam mais próximas. Qualquer criança seria mais apegada à própria mãe. — Hera concordou com a cabeça.
— Se você tivesse tido um filho de Alarico antes, eu não precisaria me preocupar tanto com isso agora. Hera, naqueles anos em que você dizia que queria focar na carreira, você nunca se arrependeu? — Jessica olhou para Hera com decepção de repente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......