— Delfina, que coincidência, chegamos juntas de novo. — Noemi acenou animadamente com a mãozinha.
Delfina logo se debateu para descer dos braços de Norberto. Ele se aproximou e dirigiu-se a Tristan.
— O Sr. Guedes também traz a filha cedo, pelo visto.
Tristan sorriu e assentiu.
— Hoje é o primeiro dia. A Noemi estava um pouco ansiosa, então viemos mais cedo.
As duas crianças entraram na escola sob a supervisão da professora.
Observando as filhas se afastarem, os dois homens ficaram a poucos passos de distância, encarando-se mutuamente.
— O Sr. Guedes parece ter muito tempo livre ultimamente. — Norberto quebrou o silêncio primeiro.
Tristan manteve a expressão tranquila e serena.
— O que o Diretor Cardoso quer dizer com isso?
Norberto deu um sorriso contido.
— Apenas quero saber quais são as intenções do Sr. Guedes.
Tristan pareceu surpreso, mas logo abaixou o tom de voz.
— Diretor Cardoso, eu não sou o seu inimigo. Não há necessidade de investigar as minhas ações.
— É verdade, não é um inimigo. Apenas alguém que está sempre presente quando a minha esposa precisa. — As palavras de Norberto foram diretas, ele não estava disposto a deixar Tristan fugir do assunto.
Tristan riu subitamente, achando a situação divertida.
— O Diretor Cardoso falha em fazer a sua parte e agora culpa os outros por fazerem um bom trabalho. É isso mesmo?
As sobrancelhas de Norberto se uniram, e a fúria escureceu suas feições.
Sem se abalar, Tristan concluiu com calma.
— Vou indo nessa.
Norberto observou as costas de Tristan enquanto ele entrava no carro e partia, seu rosto assumindo um tom glacial.
Aquela cena trouxe à tona a lembrança do dia da matrícula, quando vira Tereza e Tristan sentados lado a lado debaixo da árvore.
No carro, a caminho da empresa, Eduardo repassava a agenda do dia para Norberto. Após tratar dos assuntos de trabalho, Eduardo perguntou.
— O Diretor Cardoso pretende visitar a Diretora Lopes no hospital ao meio-dia?
Foi então que Norberto pareceu lembrar-se de algo e ordenou a Eduardo.
— Vá até lá e providencie a transferência da Hera para outro hospital.
— Por que a transferência? — Eduardo surpreendeu-se.
Norberto foi direto.
— A atual médica da Hera é amiga da Tereza. Para evitar que isso vaze, é melhor mudá-la de hospital.
Desde que Norberto promovera o jantar para apresentá-la oficialmente a Eliseu, este parecia ter encarnado com afinco o papel de pretendente. Sempre que tinha uma brecha, chamava-a para jantar ou sair. Mesmo sem um sinal positivo claro de Hera, Eliseu aguardava ansioso pelas suas respostas.
Hera sentiu uma irritação súbita e inexplicável. Em seguida, simplesmente tirou um print da conversa e encaminhou para Norberto, sem adicionar uma palavra sequer. Apenas a imagem.
Depois, largou o celular e ficou esperando.
Como previsto, a resposta de Norberto chegou mais rápido do que ela imaginava.
— Não se atreva a sair daí.
Lendo aquelas palavras, um sorriso suave desenhou-se nos lábios de Hera. Pegando o celular lentamente, ela digitou de volta.
— O Eliseu já me convidou três vezes. Seria falta de educação recusar de novo.
— E se eu for? É só um almoço mesmo.
O celular tocou imediatamente, e Hera já não conseguia esconder o sorriso.
Ela atendeu, e a voz de Norberto ecoou.
— O médico recomendou repouso absoluto. Não invente moda.
— Mas... o Eliseu já tentou tantas vezes. — Hera encenou perfeitamente o papel de quem valoriza o esforço alheio.
— Na sua atual situação, qualquer coisa entre você e ele é impossível, a menos que ele seja capaz de aceitar...
— E se ele for? — Como Norberto parou no meio da frase, Hera lançou a isca de propósito. — Se ele não se importar, eu posso me casar com ele levando a criança?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......