Norberto ficou em silêncio do outro lado da linha. Sem responder diretamente, ele apenas a repreendeu com suavidade:
— Não fique com caraminholas na cabeça agora. Descanse bem. Deixe que eu cuido desse assunto.
Ao terminar de falar, Norberto simplesmente desligou.
O sorriso ainda pairava nos lábios de Hera. Da mesma forma que Norberto a havia empurrado para outro no passado, ele agora teria que trazê-la de volta.
Ela havia entregado todo o poder de decisão nas mãos dele, cabia a ele fazer a escolha.
Essa sensação de ser valorizada fez com que o coração de Hera batesse um pouco mais rápido.
Minutos depois, Norberto ligou para Eliseu.
— Eliseu, você tem um tempo livre ao meio-dia? Vamos nos encontrar para conversar um pouco — perguntou Norberto.
— Claro. Eu também queria te perguntar sobre a Hera. Ela parece estar muito ocupada ultimamente — concordou Eliseu, que não conseguia obter nenhuma resposta dela.
Norberto foi o anfitrião e escolheu um restaurante com excelente privacidade. Quando Eliseu chegou, ele já o aguardava na sala reservada.
— Uma sala tão pequena só para nós dois? — Eliseu entrou, olhando ao redor.
— Sim. Tenho algo a lhe dizer — Norberto deu um leve sorriso.
— Perfeito. Eu também queria te perguntar uma coisa. Tinha convidado a Hera para almoçar hoje, mas mandei mensagem e ela não respondeu. A Apex está com tanto trabalho assim ultimamente? — Eliseu assentiu.
— Eliseu, essa situação entre você e a Hera foi uma decisão unilateral minha, não reflete a vontade dela. Peço-lhe desculpas — Norberto o observou com sua expressão franca e sincera, sentindo o rosto tensar antes de falar, em tom de autocondenação.
Eliseu recostou-se na cadeira e o encarou. Havia em seu olhar um vislumbre de compreensão, misturado a uma complexa sensação de perda.
— Sinto muito. Como seu amigo, eu não deveria ter brincado com os seus sentimentos — disse Norberto, com um semblante carregado de culpa.
— Norberto, o que exatamente você está querendo fazer? — Eliseu ficou atônito por um momento, mas depois soltou uma risada fraca.
— Eliseu, eu te convidei hoje justamente para te dizer que você e a Hera... é melhor continuarem apenas como amigos — Norberto ergueu os olhos para ele.
— Eliseu, há algumas coisas que não posso te contar agora. Por favor, confie em mim: eu não estou deixando que fiquem juntos para o bem de vocês — Norberto continuou sem revelar a verdade, ele não podia.
Eliseu sentiu o impacto como um golpe e ficou apenas encarando Norberto fixamente.
— É mesmo? Você está fazendo isso pelo bem dela, ou será que é pelo seu próprio bem? — Eliseu riu com amargura, seu semblante ganhando um tom desolador. — Você sabe muito bem dos meus sentimentos por ela. Sair do segredo e me declarar foi pular um abismo de apenas um passo. Mas eu esperei por tantos anos... Você tem ideia de como é essa sensação? É como se, em um dia cinzento e chuvoso, um raio de sol surgisse de repente...
Ouvir aquelas palavras deixou Norberto com um nó na garganta.
— Norberto, você gosta dela, não é? — Eliseu de repente cravou um olhar afiado no rosto de Norberto. — Usar a minha situação te fez enxergar o seu próprio coração com mais clareza. Você simplesmente não suporta a ideia de entregá-la a outra pessoa. Você quer mantê-la presa ao seu lado, nem que seja usando a desculpa de tratá-la como uma irmã mais nova...
O rosto de Norberto mudou drasticamente. No segundo seguinte, ele retrucou com severidade:
— Não é nada disso, Eliseu. Peço que não diga essas coisas.
— Então me diga, como é que é? — Eliseu levantou-se bruscamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......