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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 386

Hoje, ela não demonstrava sequer um resquício de hesitação no tom de voz ou no olhar.

Norberto pegou o celular, procurou a foto de perfil dela, abriu o chat, digitou algumas palavras e as apagou logo em seguida.

A essa hora, a filha provavelmente já estava dormindo. Por ter se atrasado para a matrícula hoje, Delfina devia estar decepcionada com ele.

Enquanto Norberto se afundava na frustração, o celular tocou inesperadamente com uma chamada de vídeo. Ele atendeu depressa.

O rostinho de Delfina ocupou toda a tela, movendo-se de um lado para o outro antes de gritar alegremente.

— Papai, estamos num churrasco! Olha, a mamãe comprou iogurte para mim.

Os olhos de Norberto se estreitaram quando a câmera se moveu, revelando vários rostos familiares. Tristan estava lá com Noemi Guedes, Gregório Duarte também, e sentado ao lado de Tereza estava Henrique Cardoso. Ele achou até ter ouvido a voz de Célia Guedes ao fundo.

Norberto não esperava que Tereza estivesse em um ambiente tão animado àquela hora. Em contraste com a solidão do seu escritório, o lado dela transbordava a vivacidade da vida cotidiana.

— Tão tarde e ainda estão na rua? — Norberto forçou um sorriso ao perguntar à filha.

— Sim! Minhas aulas começam amanhã e a mamãe também volta a trabalhar. O Sr. Cardoso nos convidou para um churrasco, então chamei a Noemi. Como o Sr. Duarte foi visitar o vovô à tarde, ele veio junto. — Delfina tagarelava, muito animada.

Norberto finalmente entendeu como aquele grupo inusitado havia acabado jantando junto.

— Mamãe, estou em chamada de vídeo com o papai, quer falar com ele? — Delfina se inclinou e perguntou a Tereza.

Tereza, comendo elegantemente um espetinho de carne, respondeu sem rodeios.

— A mamãe está ocupada, fale você com ele.

Delfina apoiou o queixo nas mãos, seus grandes olhos escuros fitando Norberto pela tela com seriedade.

— Papai, a mamãe está comendo e não tem tempo para falar. Você ainda está no escritório? Já jantou?

Norberto olhava para o rostinho lindo da filha, esperto e travesso, era impossível não se encantar.

— Sim, o papai já comeu. Estou terminando de ler uns documentos. — Norberto respondeu.

— Tadinho do papai, trabalhando até tão tarde. Quer que eu peça para a mamãe embalar alguma coisa e levar para você? — O coração da menina apertou de pena.

— Não precisa, o papai está sem fome. Podem comer tranquilos, eu também já vou para casa. — Norberto sabia que Tereza jamais faria aquela entrega, então preferiu manter a dignidade e recusar primeiro.

— Sério? Então nos vemos em casa, tá? Te amo. — Delfina despediu-se e desligou.

Norberto segurou o celular com os dedos rígidos. A filha realmente achava que ele voltaria para o apartamento de Tereza?

Já era madrugada quando Norberto finalmente deixou o escritório.

Enquanto o elevador descia e os números mudavam no visor, Norberto observou seu próprio reflexo no espelho, sentindo uma ponta de estranheza em relação ao homem que via.

Ao chegar ao saguão do térreo, Eduardo e o motorista o aguardavam.

Por volta das sete e meia, Tereza desceu segurando a mão de Delfina. A garotinha vestia o uniforme completo da escola, os cabelos amarrados em trancinhas, uma mochila azul-bebê nas costas e um sorriso largo.

Tereza mantinha seu estilo de sempre: calça social e camisa branca. A maquiagem era leve, destacando uma elegância simples e discreta.

— Mamãe, o papai chegou tão cedo! — Delfina soltou a mão de Tereza e correu em direção a Norberto.

Norberto abaixou-se e ergueu a filha nos braços, jogando-a para o alto de leve. Delfina riu gostosamente.

— Papai, você esperou muito?

A alguns passos de distância, Tereza observava a interação entre pai e filha com uma expressão indiferente.

— Dê tchau para a mamãe, vamos para a escola. — Disse Norberto, olhando de relance para Tereza.

Tereza acenou para a filha, acompanhou com o olhar o Bentley preto se afastar e virou-se para pegar o próprio carro.

Norberto deixou Delfina na porta da escola. Soltou o cinto de segurança e caminhou com a filha no colo até a entrada.

Naquele exato momento, Tristan também estava no portão, agachado, ajeitando a gola do uniforme de Noemi, enquanto a lembrava de comer bastante, beber muita água e falar com os professores se precisasse de algo.

— Noemi! — Delfina gritou com entusiasmo.

Tristan virou a cabeça e viu Norberto se aproximando com a filha no colo.

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