Tereza respondeu:
— Foi boa. A Delfina está mais crescidinha, é mais divertido passear com ela.
A velha senhora continuou de olhos fechados. Após um breve silêncio, voltou a falar:
— Tereza, durante todos esses anos na Família Cardoso, você realmente foi muito injustiçada.
Os dedos de Tereza pararam por um instante, mas ela não disse nada.
A senhora, por sua vez, prosseguiu:
— O Norberto é um inconsequente, espero que você não leve tão a sério as atitudes dele. Os homens sempre demoram mais para amadurecer do que as mulheres; dê-lhe um pouco de tempo...
Os dedos de Tereza voltaram a massagear. Ela não parou e tampouco retrucou.
Ela, de forma alguma, achava que o fato de Norberto carregar em seu coração a cunhada viúva, seu antigo amor, fosse sinal de imaturidade. Muito pelo contrário, ele sabia perfeitamente o que estava fazendo, e ainda assim entregava-se àquilo por pura obsessão.
Vendo que Tereza permanecia em silêncio, a senhora virou a cabeça para observar sua expressão e pediu:
— Tereza, você não poderia dar-lhe mais algum tempo para crescer?
Tereza sustentou serenamente o olhar da avó e respondeu:
— Avó, eu lhe dei sete anos. Sete anos é tempo o bastante. Mais do que isso, é impossível.
A velha senhora ficou estarrecida.
Logo em seguida, balançou a cabeça, resignada.
No escritório situado mais à esquerda do segundo andar, Delfina estava deitada de bruços no sofá, desenhando, enquanto Norberto sentava-se ao seu lado, analisando documentos em um iPad.
— Papai. — A mãozinha de Delfina estava cansada de tanto desenhar. Com um biquinho nos lábios, ela perguntou: — Quando vamos descer para jantar?
Norberto verificou a hora e respondeu:
— Em breve.
— A mamãe já chegou? — Delfina indagou novamente.
Norberto levantou-se, foi até a janela para conferir e disse:
— Chegou. O carro dela está estacionado bem ali.
Delfina correu para dar uma espiada e comentou:
— O carro da tia também está ali. Você vai descer para encontrá-la?
Os pratos enchiam a mesa um após o outro, emanando vapor, num banquete farto e generoso.
— Comam. Há bastante comida, sirvam-se à vontade. — A velha senhora não voltou a tocar no assunto das crianças e pegou o garfo para começar a refeição.
Percebendo que o estado de espírito de Hera não estava dos melhores, Jessica imediatamente usou os talheres de servir para colocar um pedaço de bife de vitela grelhado no prato dela.
— Hera, experimente este prato. Você adorava quando era criança.
Hera observou o bife, perfeitamente dourado por fora e macio por dentro; parecia delicioso logo à primeira vista.
Para não estragar o clima, ela pegou um pedaço e o mordeu.
De repente... a ânsia de vômito retornou. Hera esforçou-se arduamente para tentar engolir.
No entanto, foi em vão. Ela simplesmente não conseguiu. O enjoo causado pelo cheiro subiu com uma violência avassaladora.
Sem sequer ter tempo de se curvar, soltou um engasgo seco. Com o rosto pálido, levou a mão à boca e disse às pressas:
— Desculpem-me, vou ao banheiro num instante.
Dito isso, empurrou a cadeira e caminhou a passos largos em direção ao banheiro do primeiro andar.
Atrás dela, à mesa, todos a observavam perplexos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......