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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 295

— Me desculpe, mãe. A culpa é toda minha, eu fiz você e o pai se preocuparem. — Tereza, ao ver que a sua mãe estava chorando por causa dela, sentiu a dor se intensificar no peito e foi tomada por um forte sentimento de culpa.

— Como assim culpa sua? Você não tem culpa de nada. Correr atrás da pessoa que a gente ama não é errado, o errado foi você não ter aberto bem os olhos para enxergar quem ele realmente era... — consolou Filomena em voz baixa.

— Talvez eu é que não seja digna. — Tereza mordeu o lábio, finalmente admitindo que a sua escolha impulsiva do passado era, na verdade, um caminho sem ponto de chegada. Ela amava Norberto, mas Norberto não a amava. Para ele, o que mais importava era o quanto de lucro ela poderia trazer para a empresa e se seria capaz de reerguer a Apex.

Os caminhos dos dois, desde o princípio, seguiam direções opostas. O fato de não se encontrarem no final era, portanto, o curso natural das coisas.

— Não diga bobagens, não existe essa história de não ser digna, existe apenas a questão de serem compatíveis ou não. E já ficou provado que vocês dois não combinam, então separem-se o quanto antes. — Filomena agora não suportava ver a filha sofrer a menor das injustiças. Não lhe importava o prestígio de uma família de elite, nem poder e riqueza, o que ela mais queria era que a filha tivesse saúde e alegria.

Tereza concordou com um aceno e secou as lágrimas no canto dos olhos:

— Eu entendo, mãe. Eu com certeza irei me separar dele.

— Você pretende esperar até a Delfina fazer a cirurgia para se divorciar? — Filomena sabia que a prioridade da filha era o estado de saúde da neta. Aquela criança também já havia pregado vários sustos na avó, quando tinha pouco mais de um ano, chorou tanto que quase ficou sem fôlego, deixando Tereza aterrorizada ao ponto de não pregar os olhos por dias.

Sendo assim, estava traçado que a mulher seria aprisionada por um filho. E uma mulher emotiva e de coração mole, especialmente, não teria coragem de rejeitar cruelmente a sua própria carne e sangue.

Filomena apoiava inteiramente a filha por colocar a neta em primeiro lugar. Sendo mãe também, ela conhecia perfeitamente o significado de um filho na vida de uma mulher, era uma joia vista com muito mais valor do que a própria vida.

— Não necessariamente. — Tereza lembrou-se do acordo que havia assinado posteriormente com Norberto. Daqui a um ano, os dois poderiam se separar amigavelmente e, naquela ocasião, tanto ela quanto Norberto conversariam de forma adequada com Delfina sobre o assunto. Além disso, depois de um ano, a criança já teria mais de seis anos, o que facilitaria a comunicação muito mais do que agora.

— Se é assim, então tudo bem. Você e o Norberto entrem em um acordo, mas lembrem-se de que não podem jamais partir o coração da criança. — Filomena assentiu, decidida a não intervir mais naquele assunto.

Dona Lígia foi até elas chamá-las para comer. Como a perna machucada de Tereza ainda não podia encostar no chão, ela seguiu pelo corredor pulando em um pé só. Observando a cena, Filomena voltou a enxugar as lágrimas em segredo.

Eram pouco mais de sete horas da noite quando o Iate Via Láctea finalmente atracou no porto.

Norberto encontrava-se em pé no convés, o olhar perdido no horizonte distante, os pensamentos submersos.

Hera caminhou inesperadamente em sua direção e acompanhou o seu olhar na contemplação do sol poente, que exibia um vermelho profundo que lembrava sangue.

Uma ideia lampejou na mente de Hera, e ela resolveu se aproveitar de uma lembrança para abrir uma brecha e dar um passo à frente naquele relacionamento.

Ela estava realmente aflita, pois a idosa já estava prestes a casá-la de vez. Se não pressionasse Norberto a fazer a sua escolha agora, não restaria mais tempo.

— Norberto! — Na ausência de outras pessoas por perto, Hera chamava Norberto conforme a vontade do seu coração. Antigamente, ela também não o chamava de irmão, por vezes usava o nome e sobrenome, noutras, apenas o primeiro nome.

Norberto virou-se lentamente e observou Hera, com o seu simples vestido branco, caminhar de encontro ao vento. Os cabelos soltos esvoaçavam de forma suave, ativando nele a lembrança de um entardecer ocorrido há muitos anos.

Hera apoiou as mãos na grade e permaneceu ao seu lado, contemplando lado a lado o declínio vagaroso do sol ao longe.

Norberto limitou-se a murmurar em concordância, mas não prosseguiu com nenhuma fala.

Os dois mantiveram uma tranquilidade serena enquanto observavam a proximidade cada vez maior do cais.

Impossível, pensou ela.

— Tente se lembrar mais um pouco, estou falando daquele vestido de festa amarelo e bordado de strass que eu usei na comemoração dos meus dezoito anos. E depois...

Hera calou-se abruptamente, sem saber como continuar. Era um constrangimento excessivo verbalizar que o tecido havia sido manchado com o sangue da sua menstruação.

Abaixando os olhos e entrelaçando os dedos ansiosamente, ela mostrava que a ponta das orelhas havia corado, deixando-a em uma visível hesitação para prosseguir.

— Hera. — A voz de Norberto a trouxe abruptamente para a realidade: — Eu realmente não me lembro de qual caixa você está falando.

O coração de Hera afundou por um instante, mas logo ela sacou o seu celular e procurou a foto para mostrá-lo.

A imagem revelava um objeto de couro minuciosamente talhado, embora carregasse as marcas do tempo, ostentando claramente as iniciais dele.

Norberto analisou a foto, teve um momento de surpresa, e então soltou uma risada genuína:

— Ah, então era essa. Agora que me mostrou, lembrei perfeitamente.

Os olhos de Hera ganharam um brilho vívido na mesma hora:

— Não é mesmo? Essa caixa te pertencia, era impossível que você tivesse se esquecido.

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