— É, mas eu dei para o meu irmão mais velho na época. O dele tinha sumido e ele disse que precisava com urgência.
O sorriso de Hera congelou no rosto instantaneamente.
— O quê? Você deu para o Alarico?
Norberto assentiu com a cabeça:
— Sim, acho que foi na noite da sua festa de debutante. Ele me pediu emprestado de repente, e depois não soube mais onde foi parar.
Hera sentiu a mente ficar completamente em branco. Seu coração batia cada vez mais devagar e, por fim, a decepção ficou estampada em seu rosto.
Como isso era possível? Então aquela caixa não era dele, mas sim do Alarico, que guardou o seu vestido manchado de sangue todos esses anos?
Hera estava completamente sem palavras.
Norberto observou as constantes mudanças na expressão dela, achando graça:
— O que tinha naquela caixa? Bem, com certeza eram coisas do meu irmão, eu não sei ao certo.
Hera ficou paralisada onde estava, como se estivesse pregada no chão. A brisa do mar soprava, bagunçando seus cabelos.
Foi como se um balde de água fria tivesse sido jogado sobre sua cabeça, apagando todo o calor que ardia em seu peito.
O píer já estava bem próximo, e o navio de cruzeiro atracava lentamente. As pessoas que esperavam no porto começavam a ficar mais nítidas.
No coração de Hera, porém, algo se partiu de repente. Ela apertou os dedos, ajeitou o cabelo atrás da orelha e forçou um sorriso:
— A última vez que fui limpar o seu quarto com a Dona Lídia, eu a vi. Como não sabia o que tinha dentro, resolvi te perguntar. Já que são coisas do Alarico, depois eu dou uma olhada para ver o que é.
— Certo! — Norberto assentiu. — O navio atracou.
— Pois é. — Hera sentiu uma ponta de relutância. Durante essa viagem de dois dias e uma noite, ela queria muito encontrar uma oportunidade para passar um tempo com Norberto. Mas, por causa da presença de Arturo e Caio, e por não querer que tirassem fotos que a prejudicassem, teve que reprimir seus desejos e manter distância dele.
Ela abaixou a cabeça, com uma leve umidade no canto dos olhos. Era pura raiva.
O que aquela caixa significava para ela era de extrema importância, pois estava diretamente ligado aos seus próximos passos.
Agora, de repente, ela se sentia perdida novamente.
Hera desceu a rampa e pisou no píer. Norberto perguntou se ela tinha vindo de carro. Ela assentiu, e ele recomendou que tomasse cuidado antes de entrar em seu próprio veículo e partir.
Por volta das nove e meia da noite, o carro de Norberto estacionou em frente ao Apartamento Vitalis Futuro.
Ele olhou para o último andar e notou que ainda havia luzes acesas.
Caminhou até o elevador, passou o cartão de acesso e subiu até o andar de Tereza.
A campainha tocou, e Dona Lígia perguntou com curiosidade:
— Quem será a essa hora da noite?
Tereza a interrompeu imediatamente:
— Dona Lígia, não abra a porta.
— Fiquei sabendo que você se machucou no incêndio. — A avó se aproximou para avaliá-la. — Machucou a perna? Como você está agora?
— Não foi nada grave. — respondeu Tereza.
A avó fez sinal para que Dona Lídia colocasse as coisas no chão, e Dona Lígia se aproximou para ajudar.
— Peça para a Dona Lígia preparar esses suplementos para você. Precisa se alimentar bem para recuperar as energias.
Tereza olhou para aquelas coisas com sentimentos mistos. Na Família Cardoso, a pessoa que ela mais gostava agora era a avó. Embora às vezes fosse severa, sabia administrar a casa como ninguém e tinha uma visão aguçada. Sob o seu comando, a Família Cardoso funcionava de forma impecável. Tereza admirava a força e a determinação da idosa.
— Avó, não precisava se incomodar com tudo isso. — agradeceu Tereza.
— Somos uma família, não há necessidade de formalidades. — A avó suspirou. — Mas você... ficou tão formal de repente, o que me deixa um pouco inquieta.
Tereza não respondeu, apenas abaixou a cabeça.
A avó a observava com um olhar que misturava pena e culpa.
— O Norberto realmente passou dos limites em algumas coisas. — A idosa percebia tudo o que acontecia. — Pode deixar, eu vou dar uma bronca daquelas nele e exigir justiça por você.
Tereza ficou surpresa e disse de imediato:
— Avó, na verdade, não precisa...
— Precisa sim. — O tom da avó era inquestionável. — Você é a esposa dele, a mãe da filha dele. Se você se machucou, ele deveria estar ao seu lado o tempo todo. Assim como quando ele sofreu aquele acidente de carro, você não saiu de perto dele por três dias e três noites. Como ele pôde esquecer o amor e a união do casamento?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......