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Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido romance Capítulo 269

Tereza desviou o olhar, evitando encará-lo.

— Mamãe, você não quer deixar o papai morar aqui? Por que não? A empresa do papai também fica bem pertinho daqui — perguntou Delfina, pulando da cama e correndo para sacudir levemente a mão de Tereza.

Tereza olhou para os olhos cheios de expectativa da filha e sentiu um nó na garganta. O erro havia sido de Norberto, mas, no fim das contas, eram ela e a filha que teriam que suportar as consequências. Era injusto demais.

— Delfina, não deixe a mamãe numa saia justa. Esta foi uma decisão que o papai e a mamãe tomaram juntos. Quando você sentir saudades, pode ir para a mansão ficar comigo — explicou Norberto ao se aproximar.

— Não! Eu não quero morar separada de vocês dois! Eu quero que nós três moremos juntos! Mamãe, você não ama mais o papai? Você tinha me dito antes que amava muito, muito o papai... — indagou Delfina com um biquinho no rosto, apertando a mão de Tereza.

O coração de Tereza sobressaltou-se, e ela olhou rapidamente para Norberto.

Uma emoção peculiar cruzou o olhar de Norberto enquanto ele encarava Tereza, agora com uma ponta de escrutínio.

Ela era mesmo capaz de dizer qualquer mentira só para confortar a filha.

Amava-o muito, muito?

Desde quando? Como ele não sabia disso?

— Tudo bem, Delfina, isso é coisa de adulto, é difícil para você entender agora. Você não disse há pouco que queria comer aquelas pastilhas de leite de coelhinho? A mamãe pega duas para você — disse Tereza, abaixando-se para pegar a filha no colo e seguindo para a sala de jantar.

— Sim! Eu quero muito! — concordou Delfina, com sua atenção sendo desviada instantaneamente.

O olhar pesado de Norberto acompanhou a silhueta de Tereza, sem desmascarar a mentira que ela havia contado à filha.

— Vamos jantar na casa principal da família hoje à noite. Foi um pedido da vovó — disse Norberto caminhando até Tereza.

Tereza apenas murmurou em concordância, como resposta.

— Quer ir na frente com o papai? A mamãe vai logo depois — sugeriu Norberto voltando-se para Delfina.

— Está bem — aceitou Delfina, antes de Norberto pegá-la no colo e caminhar para a porta, instruindo-a na saída: — Despeça-se da mamãe.

— Mamãe, eu e o papai vamos na frente. Você vai daqui a pouco, tá? — despediu-se Delfina, acenando com a mãozinha enquanto mastigava a pastilha de leite.

— Combinado! — assentiu Tereza, e a porta fechou-se em seguida.

O coração de Tereza pareceu ser picado por alguma coisa, uma dor aguda.

— Veja só as noras das famílias das mansões vizinhas. A sogra adoeceu, e elas não pensaram duas vezes: pediram demissão e ficaram em casa para cuidar delas. Hoje, passam os dias ouvindo as sogras elogiá-las pela dedicação. Até os maridos sentem orgulho e as tratam como rainhas. Se me perguntar, acho que, depois de casada, a mulher precisa ter consciência do seu papel... — tagarelava a sogra.

— Mãe! Já terminou? — perguntou Tereza, olhando friamente para Jessica, achando aquele discurso especialmente irritante hoje.

Jessica engasgou com a interrupção repentina.

— A senhora já havia mencionado as gloriosas façanhas delas antes e, por acaso, eu decidi investigar. A Sra. Gomes, aqui do lado, sabe muito bem que o marido tem mais de três amantes e até filhos fora do casamento. Ela finge que não sabe porque as donas de casa morrem de medo de se divorciar e saírem sem nada. Já a Sra. Coimbra, da casa quatro, é chamada de esposa perfeita por todos. Mas ela esperou vinte anos para que o marido criasse juízo. Os filhos deles já estão até na idade de casar. E ele só "tomou jeito" porque o corpo não aguentava mais tanta farra. A propósito, ela até o levou à minha clínica algumas vezes para cuidar da saúde dele — rebateu Tereza calmamente.

— Ah, e tem a Sra. Resende, essa mesma que a senhora citou, que largou tudo para cuidar da sogra. A sogra faleceu no ano passado. Por que a senhora não vai se informar agora para descobrir se ela não está no meio de um processo de divórcio, implorando por uma pensão? — continuou Tereza.

— Como você sabe de tudo isso? Como você pode ser tão fofoqueira? — exclamou Jessica, com o rosto envelhecido ficando vermelho de raiva num instante.

— Não foi a senhora quem tocou no assunto primeiro? Eu só queria aprender com elas como ser uma boa esposa, por isso comecei a prestar mais atenção. A verdade é que a vida de ninguém é perfeita — respondeu Tereza com um sorriso de escárnio.

A sala ficou subitamente silenciosa.

— Mãe, não estou tentando contrariá-la. Só quero dizer que essas mulheres 'dedicadas' nem sempre são vencedoras nos bastidores, na maioria das vezes, são as vítimas. Não olhe apenas para as aparências — concluiu Tereza com um tom glacial.

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