Desde que Delfina começou a balbuciar as primeiras palavras até agora, tornando-se uma criança de emoções profundas e sensíveis, Tereza realmente não sabia qual era a melhor forma de educá-la. Seus olhos límpidos transpareciam um traço de confusão.
— Estou aqui embaixo. Não tenho acesso — foi o que Tereza leu ao pegar o celular e ver a mensagem enviada por Norberto em meio ao som da chuva.
O coração de Tereza apertou instantaneamente. O que ele estava fazendo ali?
— A Delfina está dormindo. Se quiser vê-la, conversamos mais tarde — respondeu Tereza rapidamente pelo celular.
Desta vez, Norberto não respondeu com uma mensagem, mas ligou diretamente para o relógio de Delfina.
Tereza ficou em silêncio.
— Mamãe, o meu relógio está tocando, com certeza o papai chegou! — exclamou Delfina, esfregando os olhos e olhando ao redor confusa ao ser acordada no susto.
Tereza sentiu os braços esvaziarem-se. Delfina correu para o quarto para atender a ligação.
— Mamãe, o papai voltou mesmo! Eu vou abrir a porta para ele — disse Delfina correndo animada em poucos instantes.
Tereza sentiu que Norberto podia ser muito astuto e, por vezes, bastante cruel.
Delfina liberou a entrada pelo interfone. Norberto subiu sem problemas e, assim que a porta do elevador se abriu, deparou-se com a filha, com os cabelos despenteados, esperando por ele.
— Papai! Você finalmente chegou em casa! — disse Delfina com os olhos brilhantes, atirando-se nos braços de Norberto.
Apoiada na porta observando a cena, Tereza finalmente entendeu o que a filha queria dizer com "voltou para casa". Para a menina, aquele novo apartamento era o pequeno lar dos três.
O peito de Tereza doía, mas ela não podia demonstrar.
Norberto vestia uma camisa azul-celeste e segurava uma sacola de presente elegante.
Após abraçar a filha por um momento, Norberto ergueu os olhos e fitou Tereza perto da porta.
— Para a casa nova — disse ele no instante seguinte, estendendo o presente que segurava.
Tereza não esticou a mão para pegar.
— Mamãe, o papai te trouxe outro presente, por que você não pega? — apressou Delfina, virando a cabeça para olhar para ela.
— Obrigada — disse Tereza, estendendo a mão para pegar o presente sem ter alternativa.
Norberto entrou na sala com a filha nos braços e observou a decoração acolhedora da nova casa. Cada mesa, cada cadeira, refletia o gosto pessoal de Tereza.
— Papai, o que achou da nossa casa nova? — perguntou Delfina apontando ao redor, abraçando alegremente o pescoço de Norberto.
Quando Norberto saiu do quarto infantil, seu dedo estava firmemente agarrado pela filha. Em seguida, ele foi conduzido até a suíte principal, o quarto de Tereza. A roupa de cama era azul-celeste, e ao lado havia um guarda-roupa e uma penteadeira em tons pastéis, onde já estavam organizados os produtos de cuidados com a pele que ela usava diariamente.
— Papai, a partir de agora você vai dormir neste quarto com a mamãe, o que acha? Essa cama é bem grande, não é? — perguntou Delfina, deitando-se na cama de braços e pernas abertas após tirar os sapatos e deslizar as mãozinhas.
O rosto impecável de Norberto congelou enquanto ele observava a filha rolar de um lado para o outro na cama, radiante de alegria.
— Delfina, este é o quarto da mamãe. O papai não vai dormir aqui — decidiu Norberto, esclarecendo as coisas com a filha antecipadamente.
— Por que não? Os papais e as mamães das outras crianças dormem no mesmo quarto. Por que você não dorme com a mamãe? — questionou Delfina, com a sua capacidade de compreensão limitada. Na mansão, com tantos quartos e espaço de sobra, ela nunca estranhou que cada um tivesse o seu. Mas ali, onde os quartos já estavam definidos, o pai teria que dormir com a mãe se fosse morar lá.
— A mamãe mudou-se para cá para ficar mais perto do trabalho, esta não é a casa definitiva dela — explicou Norberto, percebendo pela primeira vez na vida que estava sem palavras e incapaz de encontrar uma explicação melhor.
— Mas... esta é a nossa casa nova! A mamãe vai morar aqui para sempre, ela já disse. Se você não vier morar aqui, vai voltar para morar sozinho naquela casa enorme? — ponderou Delfina, piscando os grandes olhos escuros como uma pequena adulta.
— Sim, o papai vai voltar a morar na mansão — assentiu Norberto.
— Não! Eu não deixo! Eu não quero que você more longe da gente. Eu quero que o papai more aqui! — exclamou Delfina, agarrando e sacudindo levemente o braço dele de imediato.
Nesse exato momento, Tereza, que estava parada do lado de fora da porta e ouviu as palavras da filha, ficou com a expressão rígida.
Norberto virou a cabeça e fitou a mulher na porta com um olhar denso e enigmático.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......