— Delfina, que dia importante é hoje? Como é que o papai não sabia? — perguntou Norberto apressadamente.
— Hoje é o dia da inauguração da casa nova da mamãe. Você passou dos limites, papai! Como pôde faltar num dia tão especial? O trabalho é mais importante do que a mamãe e eu? Não quero mais saber de você — Delfina falou, limpando as lágrimas rapidamente com as costas da mão, virou as costas para o relógio e encolheu as perninhas. Estava realmente brava, daquele jeito difícil de consolar.
A expressão de Norberto congelou e o brilho em seus olhos foi esfriando aos poucos.
Hoje era o primeiro dia de Tereza na casa nova? Ela estava dando uma festa de inauguração?
E ela sequer o havia avisado.
— Delfina, o papai errou. Estou indo para aí agora mesmo, você me passa o endereço, está bem? — Norberto pediu desculpas à filha imediatamente.
— É tarde demais para pedir desculpas. Eu ainda estou muito triste, não gosto mais de você, papai — disse Delfina, desligando o relógio de pulso logo em seguida. Embora estivesse ansiosa por Noemi, na verdade, ela também estava esperando o pai.
Mas, para sua decepção, todos os convidados chegaram e o pai não apareceu. A emoção de Delfina simplesmente desmoronou.
Norberto ficou paralisado onde estava.
— O papai é muito mau. Ele se esqueceu de um dia tão importante. Não vou mais falar com ele — murmurou Delfina, com os olhos vermelhos e fazendo biquinho, quando Tereza, que ainda batia à porta, viu-a se abrir de repente.
Ao ver que a filha havia chorado, e chorado muito, a mente de Tereza zumbiu, ficando completamente em branco por um instante.
Foi então que o celular dela tocou. Era uma ligação de Norberto.
— Mãe, ajude a Delfina com o almoço, eu vou lá fora atender a uma ligação — disse Tereza a Filomena rapidamente, após olhar para os convidados já sentados à mesa.
Filomena notou a expressão estranha da filha e abaixou-se para perguntar a Delfina por que estava chorando. A menina apenas resmungou "papai bobo" mais uma vez, abraçou o pescoço de Filomena e começou a soluçar.
Tereza saiu apressadamente e finalmente atendeu o celular.
— Você está fazendo a inauguração da sua casa hoje? — veio a pergunta fria e direta de Norberto do outro lado da linha.
— Uhum — confirmou Tereza com um murmúrio.
— Cláusula quarta do acordo de divórcio, guarda e visitação dos filhos: 'Ambas as partes devem zelar conjuntamente pela saúde física e mental dos filhos, não permitindo que a relação conjugal afete o desenvolvimento normal da criança. Nenhuma das partes deve denegrir a outra na frente dos filhos, tampouco expor os conflitos conjugais a eles' — recitou Norberto, com uma voz desprovida de emoção.
— O seu comportamento de hoje já violou essa cláusula — afirmou Norberto, após fazer uma pausa ao terminar de ler o trecho formal.
— Eu apenas convidei algumas pessoas para um almoço, não chegou a esse ponto — respondeu Tereza calmamente, apertando o celular com mais força.
— É mesmo? Mas a Delfina acabou de me dizer ao telefone que não gosta de mim — rebateu Norberto, com a voz subindo alguns tons.
Ver aquela cena partiu o coração de Filomena.
Como uma família tão bonita tinha chegado àquele ponto?
Naquele momento, as poucas pessoas sentadas à mesa também demonstravam expressões variadas, olhando frequentemente em direção à porta.
Afinal, a ausência de Norberto já dizia muita coisa.
Delfina mal comeu. Ela pegou a mãozinha de Noemi e correu para o quarto infantil, trancando a porta novamente. Tereza olhava para a porta, distraída.
Após o almoço, em respeito à presença dos mais velhos da Família Leal, os três homens despediram-se educadamente e foram embora. Noemi também se despediu de Delfina, combinando de se encontrarem na escola na segunda-feira.
Eram mais de quatro da tarde quando Flávio e Filomena foram embora. Tereza sentou-se no sofá com a filha no colo. A menina esteve cabisbaixa o tempo todo e agora dormia profundamente em seus braços.
Abraçando a filha, Tereza olhou pela janela. O sol que brilhava forte pela manhã deu lugar a uma nuvem escura. Acompanhada por trovões distantes, a chuva começou a cair com força.
As gotas d'água batiam contra o vidro da janela, fazendo barulho.
A especialidade de Tereza sempre foi lidar com o laboratório. Na criação da filha, ela tentava fazer o máximo possível por conta própria, desejando ser uma boa mãe, mas estar presente não era tão simples quanto ela imaginava.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Sonhos Distantes na Mesma Cama: O Pedido Proibido
Esse livro é ótimo.......