POV Zayden
Eu não queria admitir, mas as palavras dela ficaram batendo no meu crânio como martelo: ritmadas, irritantes, impossíveis de ignorar.
"Sua amante está sozinha num quarto de hospital." "Vai cuidar dela. Se sobrar tempo, cuida da sua consciência."
Merda.
O estacionamento tinha ficado pequeno demais depois que Lianna fechou a porta do carro e foi embora. O som do motor dela se afastando soou como uma acusação. E, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti… exposto.
Camille. Eu realmente a deixei sozinha?
Passei a mão pelos cabelos, irritado, e entrei no elevador. Não era culpa minha. Não totalmente. Ela tinha médicos. Enfermeiras. Uma equipe inteira. Mas Lianna tinha dito aquilo com tanta convicção que parecia verdade absoluta.
Droga.
Quando entrei no corredor da ala pós-operatória, encontrei Camille recostada na cama, os olhos cansados demais para alguém que sempre teve energia.
Ela virou o rosto quando me viu.
— Pensei que você não vinha. — disse, a voz fraca, mas carregada de mágoa.
Merda de novo.
— Eu estava resolvendo coisas do hospital — menti, ou tentei.
Ela exprimiu um riso que mais parecia uma fisgada de dor.
— Sempre tem algo mais importante do que eu, né?
Eu queria dizer algo. Qualquer coisa. Mas as palavras não apareciam. Então puxei uma cadeira e sentei perto.
— Como você está?
— Bem… — começou, mas tossiu logo em seguida. — Só um pouco de febre. Nada demais.
Só que o suor brilhando na testa dela dizia outra coisa. O vermelhidão nas bochechas, a respiração acelerada… eu já tinha visto isso antes.
— Você avisou a médica responsável?
— A sua esposa? — provocou, amarga. — Para ela comemorar que eu estou pagando por ter te amado?
Revirei os olhos.
— Camille, pelo amor de Deus, isso não é uma competição.
— Claro que é. — rebateu, fraca. — Com você sempre foi.
Houve um segundo de silêncio. Estranho. Desconfortável. Eu estava prestes a responder quando ela levou a mão à cabeça e gemeu.
— Camille?
A respiração dela ficou irregular de repente.
— Eu… acho que… — ela tentou falar, mas as palavras embolaram. — Estou… t-tonta…
O monitor apitou. Uma linha vermelha começou a saltar de forma anormal.
— Enfermeira! — gritei automaticamente.
A porta se abriu em segundos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!