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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 22

POV Lianna

Respirei fundo, tentando colocar o coração de volta no lugar. Adrian seguia ao meu lado, discreto, com aquele silêncio de quem entende mais do que fala.

— Eu não sei o que responder a isso, Adrian — admiti.

Ele olhou pra mim, com a serenidade que sempre me desconcertava.

— Então não diz. Só mostra. Você já fez isso hoje.

Tentei sorrir, mas o ar ainda vinha pesado. Foi nesse instante que ouvi a voz mais familiar do mundo:

— Se eu não te conhecesse, diria que parece uma bomba-relógio prestes a explodir.

Virei. Valentina. Meu alívio instantâneo. Ela vinha com a prancheta debaixo do braço e aquele olhar de quem sabia que o caos tinha nome e sobrenome.

— Finalmente — sussurrei, puxando-a pra um abraço rápido. — Que bom que você veio.

— Claro que vim. — Ela respondeu, arqueando uma sobrancelha. — Alguém tem que te impedir de matar o novo investidor do hospital.

Revirei os olhos.

— Por favor, não começa.

Valentina suspirou e olhou em volta, certificando-se de que ninguém escutava.

— Eu não queria ser a portadora das más notícias, mas… o novo investidor — ela fez uma pausa dramática — pediu pessoalmente para alocarem uma sala pra ele aqui.

— Aqui onde? — perguntei, com a voz tensa.

Ela hesitou por um segundo.

— …ao lado da sua.

O silêncio que seguiu foi quase cômico, se não fosse trágico.

— Ele fez o quê? — perguntei, incrédula.

— Pediu ao diretor. Com prioridade. E o diretor achou ótimo pra “facilitar a comunicação entre setores”. — Valentina imitou o tom burocrático com ironia. — Comunicação, Lianna. Você acredita?

Passei a mão no rosto, tentando conter o impulso de gritar.

— Claro. Porque nada diz “ambiente de trabalho saudável” como dividir parede com o homem que destruiu a minha vida.

Valentina bufou.

— Posso garantir que já mandei e-mail pro jurídico. Isso é assédio territorial, no mínimo.

Soltei o ar devagar, tentando focar.

— Depois eu lido com isso. Agora… eu só quero sair daqui.

Como se o universo tivesse um senso de humor doentio, o celular vibrou nesse instante.

Era a babá.

— Dona Lianna, desculpe ligar nesse horário — a voz dela veio trêmula —, mas aconteceu uma emergência. Minha mãe teve um pequeno acidente doméstico. Preciso sair agora para o hospital.

O mundo voltou a girar rápido demais.

— Claro, vá. Não se preocupe. Eu já estou indo para casa. — respondi, tentando manter a calma. — Fique tranquila, e me avise se precisar de algo.

Desliguei e olhei pra Valentina.

— Tenho que ir. As crianças.

Ela assentiu.

— Quer que eu te leve?

— Não. Eu dirijo melhor com raiva.

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