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Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe! romance Capítulo 24

POV Lianna

Quando saí do hospital, o mundo parecia feito de vidro fino. Cada passo ecoava como se meu corpo tivesse sido esvaziado por dentro.

Eu tinha acabado de salvar ela. Camille. A amante do meu marido. A mulher que partiu minha vida em duas metades. A minha meia-irmã. E eu fiz o que tinha que fazer. Mas o que tinha que fazer… não era o que o meu coração queria.

O vento da noite bateu no meu rosto enquanto eu caminhava até o estacionamento. A cabeça latejava. O jaleco pesava. A alma arrastava um cansaço que não tinha nome.

— Lianna.

A voz de Adrian me alcançou antes que eu conseguisse abrir a porta do carro.

Virei devagar. Ele vinha apressado, ainda de jaleco, com aquele olhar preocupado que eu não sabia como receber. Gentileza demais sempre me deixou desconfortável.

— Você precisa respirar. — disse ele, parando na minha frente, as mãos nos bolsos como se evitasse tocar minha dor. — Hoje foi pesado… até pra você.

Ri sem humor.

— Eu estou acostumada com pesado, Adrian.

— Não esse tipo. — ele rebateu, firme. — Isso foi pessoal. Foi injusto. E você segurou tudo sozinha.

Engoli seco.

— É o meu trabalho.

— Não. — ele corrigiu, dando um passo mais perto. — O seu trabalho é salvar vidas. O que você fez hoje foi salvar alguém que te feriu. Duas vezes.

Desviei o olhar, sentindo o nó na garganta crescer.

— Eu só fiz o que qualquer médico faria.

— Não. — a voz dele caiu suave. — Você fez o que uma pessoa extraordinária faria.

Isso… isso partiu algo dentro de mim.

Respirei fundo, olhos marejando, mas mantive a postura.

— Não romantiza. — pedi, exausta. — Não hoje.

Ele assentiu, respeitando o limite.

— Tudo bem. — disse, baixinho. — Mas se precisar… eu estou aqui.

Por um segundo, achei que ia desabar nos braços dele. Mas não podia. Não era justo, com ele, comigo, com ninguém.

— Boa noite, Adrian. — finalizei, abrindo a porta do carro.

— Boa noite, Lianna.

Entrei no carro e fechei os olhos por alguns segundos.

A imagem da convulsão de Camille me atravessou de novo. O corpo dela tremendo. A saturação despencando. Zayden pálido, desesperado. E eu ali, salvando a mulher que destruiu meu casamento… e o homem que destruiu minha vida olhando como se só agora percebesse que eu existia.

Meu peito doeu. Não de amor. De memória. Memória dói mais que qualquer ferida.

***

Quando cheguei em casa, a luz da sala ainda estava acesa. A babá abriu a porta antes mesmo de eu subir os três degraus.

— Doutora Lianna! — ela exclamou, aliviada. — Me desculpe de novo por ter pedido para senhora vir mais cedo. Foi tudo muito rápido…

— Está tudo bem. — garanti, abrindo um sorriso cansado. — Emergências acontecem. Os gêmeos ficaram bem?

Ela sorriu.

— Dormiram às nove. Fizeram a lição direitinho. E Selin pediu para deixar a luz do corredor acesa… acho que o dia foi pesado para ele.

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