No dia seguinte, o hospital se tornou o palco de mais um drama familiar. Seus pais, Geraldo e Lúcia Mendes, souberam que Thiago havia sido formalmente acusado de sequestro e agressão, e que Arthur Montenegro estava pessoalmente pressionando pela pena máxima.
Eles invadiram o quarto de Clara, onde ela se recuperava da insolação, os rostos contorcidos de pânico e fúria.
— O que você fez?! — Geraldo gritou, dispensando qualquer gentileza. — O seu marido vai mandar o seu irmão para a prisão por anos! E a culpa é sua!
— Pai, eu tentei...
— Tentou o quê? Irritá-lo ainda mais? Eu te avisei para manter seu marido feliz! Eu te avisei!
Ele estava cego de medo pelo filho, e a fonte de sua fúria era, como sempre, a filha que ele via como uma ferramenta.
— Você é uma inútil! Um desastre! Desde o dia em que te acolhemos!
— Geraldo, pare! — Lúcia tentou intervir, mas era tarde demais.
Ele se aproximou da cama e, pela segunda vez em sua vida, ergueu a mão para a filha. O tapa foi forte, estalando no silêncio do quarto de hospital.
Mas desta vez, Clara não chorou. Ela o encarou, a marca vermelha em sua bochecha, os olhos frios como gelo. O último vestígio de amor filial havia se partido.
— Saia. — ela disse, a voz baixa e perigosa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Seis Anos em Vão