Nina olhou para os papéis em sua mão, para a assinatura dele, o símbolo final de sua liberdade. Ela ergueu os olhos para o homem à sua frente.
Ele não parecia mais o titã dos negócios que dominava salas de reunião. Parecia apenas um homem, de pé em uma praia, esperando por um veredito.
Ele respirou fundo, reunindo a coragem para o seu último e mais assustador ato. O ato de se despojar de todo o poder.
— Dra. Mendes, — ele começou, a voz um pouco instável, — ou talvez eu devesse chamá-la de Dra. Queiroz.
Ele estendeu a mão, não para tocá-la, mas em um gesto formal de apresentação.
— Meu nome é Arthur Montenegro. É um grande prazer conhecê-la.
A formalidade, o recomeço absoluto que ele estava propondo, era tão audacioso, tão humilde, que a deixou sem fôlego.
Ele baixou a mão, o nervosismo claro em seus olhos.


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