A escuridão na mente de Clara recuou com o som de uma voz preocupada. — Moça? Moça, você está bem?
Ela abriu os olhos. Um rosto jovem e bronzeado, emoldurado por cabelos cacheados, a encarava. Ele usava um uniforme de uma empresa de entregas.
— Você desmaiou. — disse o rapaz. — Está muito quente para andar por aqui. Vou te levar para o hospital.
Ele a ajudou a se levantar e a colocou em sua van de entregas, dando-lhe uma garrafa de água. A gentileza inesperada de um estranho era tão avassaladora que Clara quase chorou.
Enquanto isso, a noite caía e Arthur voltava para o apartamento. Ele esperava encontrá-la lá, talvez chorando, talvez furiosa.
Mas a casa estava vazia. E silenciosa.
Ele ligou para o celular dela. Caixa postal.
Uma inquietação estranha começou a se formar em seu peito. Ele disse a si mesmo que era irritação. Ela provavelmente tinha ido procurar consolo com Pedro Rocha.
Mas as horas passavam. Nove horas. Dez. Onze. O silêncio no apartamento se tornou opressivo.
Pela primeira vez em seis anos, a ausência dela o incomodava. A casa parecia... errada.
Ele não aguentou. Pegou as chaves do carro e saiu para procurá-la. Onde ela poderia estar? No hospital? Com os pais? Com Pedro?
A ansiedade, uma emoção que ele raramente sentia, era um gosto amargo em sua boca.
Ele estava saindo do portão do condomínio quando a viu.

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