Arthur olhou para os cacos do celular, depois para o rosto devastado de Clara, que abraçava o irmão em prantos. Por um momento, uma pontada de dúvida o atingiu. E se... e se o garoto estivesse dizendo a verdade?
Mas então ele olhou para Isabela, frágil e chorosa em seus braços. A dívida. A culpa. A responsabilidade que ele sentia por ela era uma âncora em sua alma, arrastando-o para o fundo. Ele escolheu o que era familiar. Ele escolheu a culpa.
— Levem-no. — ele ordenou aos seus seguranças, a voz fria como aço.
— Não! Arthur, por favor! — Clara se levantou, os olhos cheios de um desespero que ele nunca vira antes. — Por favor, não faça isso! Ele é só um garoto! Ele estava me defendendo!
Ela se agarrou ao braço dele, as unhas se cravando em seu terno caro. — Eu te imploro. Pela primeira vez, eu te imploro. Não o entregue.
Ele olhou para a mão dela, depois para o rosto suplicante. E ele a arrancou de si como se ela fosse algo sujo.
— Ele cometeu um crime. Ele vai enfrentar as consequências.
Dois seguranças agarraram Thiago, que já não lutava mais, o espírito quebrado. Eles o arrastaram para fora.
— Vamos, Isa. Vou te levar ao hospital. — disse Arthur, a voz subitamente gentil para a mulher em seus braços.
Ele a guiou para fora do prédio abandonado, passando por Clara como se ela não existisse.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Seis Anos em Vão