A audácia de Clara em lhe dar uma lição de moral na frente de todos foi a gota d'água para Júlia Montenegro. A humilhação e a raiva transbordaram.
—Você não me dá as costas! — ela gritou, estendendo a mão para agarrar o cabelo de Clara.
O movimento foi rápido, mas outra mão foi mais rápida. Um braço forte surgiu, agarrando o pulso de Júlia com a força de uma morsa de aço.
—O que você pensa que está fazendo?
A voz era jovem, masculina e fervendo de raiva. Thiago Mendes, segurando uma sacola de papel com o almoço da irmã, estava ali, o corpo posicionado entre Júlia e Clara, como um guarda-costas. Ele havia chegado a tempo de ouvir o final da discussão e ver a tentativa de agressão.
—Quem é você? Me solta! — Júlia gritou, tentando se soltar.
—Eu sou o irmão dela. — Thiago rosnou, o olhar protetor. — E eu te aviso, se você encostar um dedo na minha irmã, você vai se arrepender.
Isabela, vendo a situação sair do controle, rapidamente interveio. — Thiago, certo? Eu sou a Dra. Ferraz, colega da sua irmã. Houve um mal-entendido...
—Mal-entendido? — Thiago riu sem humor. — Eu vi muito bem o que ela ia fazer.
—Você não sabe de nada! — Júlia gritou para Thiago. — Você não sabe que tipo de mulher sua irmã é! Ela não merece ser esposa do meu primo!
—Minha irmã não merece ser esposa dele? — Thiago explodiu, a raiva o tornando imprudente. — Você não tem a menor ideia de quem é a minha irmã! Se vocês soubessem a verdadeira identidade dela, vocês se ajoelhariam para...
—Thiago! — A voz de Clara foi um comando afiado, parando-o no meio da frase.
Ele se calou, mas a fúria em seus olhos não diminuiu.
Clara passou pelo irmão e encarou Júlia, a calma dela um contraste gritante com a raiva dos outros dois.
—Júlia Montenegro. Se bem me lembro, na festa de aniversário, a posição de Dona Helena Montenegro foi bem clara.

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