Júlia Montenegro dirigiu como uma louca até o arranha-céu do Grupo Montenegro. Ser humilhada por Clara e depois pelo irmão dela era inaceitável. Ela invadiu o escritório de Arthur, pronta para exigir que ele colocasse "sua esposa" no lugar dela.
—Arthur! Você precisa fazer alguma coisa! — ela começou, jogando a bolsa em um sofá de couro. — A Clara e o irmão selvagem dela me humilharam na frente de todo o hospital!
Arthur, que estava assinando uma pilha de contratos, não levantou a cabeça. Seu silêncio era mais irritante do que qualquer resposta.
—Você está me ouvindo? Eu fui atacada! A sua esposa usou o nome da vovó para me ameaçar! E você não vai fazer nada?
Finalmente, ele pousou a caneta. O som teve um clique final e pesado. Ele se recostou na cadeira e a encarou, seus olhos frios e analíticos.
—Júlia. — ele disse, a voz perigosamente calma. — Na noite da festa da vovó, alguém colocou uma droga na minha bebida.
A mudança repentina de assunto pegou Júlia de surpresa. O sangue fugiu de seu rosto.
—O-o que? Eu... eu não sei de nada sobre isso.
—Não? — Arthur ergueu uma sobrancelha. — É engraçado, porque o criado que serviu aquela taça de champanhe, um jovem chamado Leo, me contou uma história diferente. Ele disse que foi você quem lhe deu o pó e o instruiu a colocar na minha bebida, não na de outra pessoa.
Júlia começou a tremer. — Ele está mentindo! Ele... ele deve estar tentando culpar outra pessoa!
—Talvez. — Arthur concordou, um sorriso frio brincando em seus lábios. — Mas a história dele faz mais sentido do que a segunda confissão dele, onde ele culpou a Clara. Por que Clara me drogaria e depois me rejeitaria? Não faz sentido. Mas você, querendo criar uma oportunidade para sua amiga Isabela... isso faz todo o sentido do mundo.

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