O toque do celular de Clara interrompeu a tensão em seu escritório. Era Thiago. A voz dele era animada, jovem e cheia de uma felicidade que a fez sorrir.
—Mana! Não se esqueça! Depois de amanhã! Meu aniversário de vinte e um anos!
—Eu não esqueceria por nada neste mundo. — ela riu.
—Ótimo! Vai ser em um restaurante legal, reservei uma mesa grande. E... uh...
A hesitação na voz dele a alertou. Então, outra voz, mais velha e mais dura, assumiu o telefone. Era seu pai.
—Clara. Seu irmão vai fazer vinte e um anos. É uma data importante. Todos os nossos amigos e familiares estarão lá. Você precisa trazer seu marido.
A ordem era clara. Não era um convite. Era uma exigência.
—Pai, o Arthur e eu...
—Eu não quero saber! — ele a cortou. — Seu irmão precisa de toda a ajuda que puder conseguir para o futuro dele. Ter Arthur Montenegro em sua festa de aniversário, mostrando apoio... isso vai dar uma boa imagem para ele. É o mínimo que você pode fazer depois de quase arruinar a vida dele. Traga seu marido.
Ele desligou.
Clara suspirou, o breve momento de felicidade evaporando. Ela olhou para o contato de Arthur em seu celular. Depois de tudo, ela ainda tinha que pedir.
Ela digitou uma mensagem curta e sem emoção.
"Aniversário de Thiago. Sábado, 19h. Restaurante Terraço Itália. A presença é opcional."
Ela enviou e não esperou por uma resposta. Sabia que não viria.

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