—Você está errado. — disse Clara, a voz baixa, mas ressoando com uma verdade inabalável. — Ser uma esposa troféu nunca foi o meu sonho. E ser a "Sra. Montenegro"...
Ela olhou diretamente nos olhos dele, e pela primeira vez, ele viu não apenas indiferença, mas pena.
—É uma gaiola dourada, Arthur. E eu estou farta de gaiolas. Eu prefiro ser uma médica anônima em Porto das Águas do que uma prisioneira condecorada em Nova Esperança.
Antes que ele pudesse processar o golpe em seu ego, o celular dele tocou. Ele olhou para o identificador. Isabela. Com um olhar irritado para Clara, ele atendeu.
—O que foi, Isabela?
A voz dela do outro lado da linha era de pânico. "Arthur! É o Farias! A polícia negou a fiança! Eles dizem que as acusações são muito sérias! Você precisa fazer alguma coisa! Ele era nosso aliado! Se ele falar, ele pode..."
—Acalme-se. — ele a cortou, a voz fria.
Ele estava ciente de que Clara estava ouvindo cada palavra.
—Eu não vou fazer nada. — ele disse, a decisão clara e final.
"O quê?! Mas você..."

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