A queda do Dr. Farias deixou um vácuo de poder e um cheiro de medo no ar do hospital. O Dr. Almeida chamou Clara para seu consultório, o rosto mais sério do que o habitual.
—Clara, eu não vou perguntar se foi você. E, sinceramente, não me importo. Ele mereceu. — disse o diretor, sem rodeios. — Mas eu preciso te avisar. O poder de Farias não vinha de dentro do hospital. A esposa dele é prima do diretor da Receita Federal.
Ele a encarou por cima dos óculos.
—Você acabou de fazer inimigos muito poderosos. Tenha cuidado.
—Eu terei, doutor. Obrigada pelo aviso. — ela respondeu, a calma em sua voz surpreendendo-o. — Mas, como o senhor sabe, meus dias aqui estão contados. Em breve, os problemas deste lugar não serão mais meus.
Sua tranquilidade era genuína. Uma mulher com um plano de fuga não teme os monstros que deixa para trás.
Ela voltou para seu escritório para terminar de organizar seus arquivos. O projeto de nanoterapia que Dona Helena lhe dera era sua prioridade. Ela estava preparando um dossiê detalhado para entregar a seu sucessor.
A porta se abriu sem aviso. Arthur entrou.
Ele não disse nada. Apenas caminhou até a mesa dela e olhou para a tela de seu computador. Aberto, estava o documento que ela estava escrevendo: "Arquivo de Transferência e Notas de Transição – Projeto de Nanoterapia Mitocondrial".

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