Para escapar da atmosfera sufocante da mansão, Clara pediu meio dia de folga do hospital. Precisava de espaço para respirar, para pensar. Mas a paz era um luxo que não lhe era mais permitido.
Quando voltou ao hospital no meio da tarde, o saguão principal estava movimentado como sempre. Ela estava a caminho do elevador quando uma mulher de meia-idade, com o rosto contorcido de raiva, correu em sua direção.
—AÍ ESTÁ ELA! A VADIA DESTRUIDORA DE LARES!
Antes que Clara pudesse reagir, a mulher a atingiu com um tapa forte no rosto. O som ecoou pelo saguão, e as conversas morreram.
—Como você ousa?! — a mulher gritou, o dedo em riste. — Como você ousa dar em cima do meu marido?! Eu tenho uma família! Eu tenho filhos!
Clara, a mão na bochecha latejante, não fazia ideia de quem era a mulher.
—Senhora, eu acho que houve um engano. Eu nem a conheço.
—Não me conhece? Mas você conhece muito bem o meu marido! O Dr. Farias!
Dr. Farias. O nome a atingiu. Era outra armadilha.

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