Arthur invadiu o quarto de Clara sem bater. Ela estava de costas para a porta, de frente para a janela, tomando um comprimido com um copo d'água. A visão a fez parecer culpada, uma conspiradora engolindo sua poção.
Ele arrancou o copo da mão dela e o jogou contra a parede, onde ele se estilhaçou. Então ele pegou o pequeno frasco de sua outra mão. Leu o rótulo.
Pílulas anticoncepcionais.
Uma fúria cega e vermelha tomou conta dele. A história do criado, a confirmação de Júlia... tudo se encaixou em uma narrativa doentia e distorcida.
—Então este é o seu jogo? — ele rosnou, o frasco de pílulas esmagado em seu punho. — Você me droga para tentar engravidar e, ao mesmo tempo, toma pílulas para garantir que só aconteça quando VOCÊ decidir? Para ter o controle total?
A acusação era tão monstruosa, tão longe da verdade agonizante, que Clara apenas o encarou, o rosto uma máscara de choque e dor.
—Você não faz ideia do que está falando.
—Ah, eu não faço?! — ele riu, um som terrível. — Me diga que tipo de mulher, que tipo de demônio, droga o próprio marido e depois se recusa a ter um filho dele? Você é veneno, Clara. Veneno puro.
A injustiça era demais. A violação, seguida pela acusação. Algo dentro dela se rompeu.
—EU NÃO QUERO UM FILHO SEU! — ela gritou, a voz rasgada de dor. — EU NUNCA QUIS NADA DE VOCÊ ALÉM DE UM PINGO DE RESPEITO! MAS NEM ISSO VOCÊ PODE ME DAR! VOCÊ ACREDITA NAS MENTIRAS DELES PORQUE É MAIS FÁCIL DO QUE ACREDITAR QUE VOCÊ, O GRANDE ARTHUR MONTENEGRO, FOI ENGANADO!

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