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Seis Anos em Vão romance Capítulo 59

A voz de Clara, quando finalmente veio, não era o sussurro culpado que todos esperavam. Era calma, clara e perigosamente precisa. Ela ignorou a Sra. Farias e se dirigiu à multidão de espectadores.

—Esta senhora alega que eu tenho um caso com o marido dela, o Dr. Farias. — ela começou, o tom quase didático, como se estivesse explicando um diagnóstico. — Para que um caso aconteça, é necessária comunicação. Certo?

Ela olhou para o Dr. Farias, que começou a suar sob o escrutínio.

—Dr. Farias, o senhor poderia, por favor, mostrar a todos em seu celular o meu número de telefone pessoal? Ou talvez o histórico de nossas conversas por mensagem?

Dr. Farias empalideceu. — Eu... eu não tenho...

—Claro que não. Porque nunca trocamos números. — ela continuou. — Talvez e-mails, então? A senhora mencionou flores. Flores geralmente vêm com um cartão, uma mensagem. Poderia nos mostrar a mensagem que eu supostamente enviei? E já que todos os e-mails corporativos são monitorados pelo TI, seria muito fácil verificar qualquer correspondência inadequada.

A lógica era impecável. A base da acusação começou a desmoronar. A Sra. Farias olhou para o marido, confusa. Isabela percebeu que a situação estava saindo de seu controle.

Foi nesse exato momento que duas figuras importantes entraram no saguão: o diretor do hospital, Dr. Almeida, e, para o horror de Clara, Arthur Montenegro.

Eles pararam, observando a cena caótica.

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