A festa terminou, mas a tensão na mansão Montenegro permaneceu, espessa e sufocante. A defesa pública de Arthur a deixou atordoada, mas Clara sabia que não era um ato de amor; era um ato de posse, uma declaração de que apenas ele tinha o direito de humilhá-la. Cansada do teatro, ela se desculpou com Dona Helena e subiu a grande escadaria em direção ao quarto de hóspedes que usava.
Ela estava no meio do corredor silencioso quando uma porta se abriu de repente. Uma mão forte agarrou seu braço, puxando-a para dentro da escuridão de um dos quartos.
—Arthur! O que...
Antes que pudesse terminar, a porta se fechou atrás dela com um clique suave, seguido pelo som inconfundível de uma chave girando na fechadura do lado de fora. Estavam trancados.
Ela se virou e encontrou o rosto dele na penumbra. E algo estava terrivelmente errado.
Seus olhos, geralmente frios e controlados, estavam vidrados, as pupilas dilatadas. Havia suor em sua testa, e sua pele irradiava um calor febril. Ele a segurava com uma força que não era natural, o corpo tenso como uma corda de aço.
—Arthur, você não está bem. — ela disse, o medo começando a se infiltrar em sua voz.
—Eu sei. — ele ofegou, a voz rouca e irreconhecível. — Colocaram algo na minha bebida. Champanhe...
Ele a pressionou contra a porta, o corpo dele queimando contra o dela. Ele estava lutando contra si mesmo, a mandíbula travada em um esforço para manter o controle, mas era uma batalha que estava perdendo.

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