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Seis Anos em Vão romance Capítulo 55

Júlia Montenegro, sentindo-se fortalecida pela atenção que havia atraído, decidiu ir até o fim. Ela se virou para o neurologista que conversava com Clara, a voz alta e venenosa.

—O senhor não sabe, doutor? A vovó pode ter lhe dado um projeto, mas todo mundo em Nova Esperança sabe como essa mulher realmente conseguiu o sobrenome Montenegro. Não foi com o cérebro, eu garanto.

O insulto foi tão direto, tão vulgar, que um suspiro chocado percorreu o grupo de convidados próximos.

—Ela não chega nem aos pés da Isa! A Isabela é elegante, de boa família! Essa aí... bem, ela é apenas uma alpinista social que teve sorte.

O rosto de Clara permaneceu calmo, mas uma mancha vermelha apareceu em seu pescoço.

Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, sua sogra, Lívia, interveio.

—Júlia! Já chega! — a voz de Lívia era um sussurro agudo e furioso. Sua preocupação não era com os sentimentos de Clara, mas com a vergonha pública. — Tenha modos! Estamos em uma festa!

Mas a reprimenda de Lívia não teve efeito. Foi então que uma figura se aproximou. Dona Elvira, a governanta da mansão Montenegro há mais de quarenta anos, uma mulher pequena e de cabelos grisalhos cuja lealdade a Dona Helena era absoluta.

Ela parou ao lado de Júlia. Seus olhos se encontraram com os de Dona Helena do outro lado do salão. A matriarca deu um aceno de cabeça quase imperceptível.

PLAFT!

A mão de Dona Elvira, envelhecida, mas forte, cortou o ar e atingiu o rosto de Júlia com um tapa estalado. A humilhação de ser disciplinada por uma empregada na frente de todos foi total.

Júlia levou a mão à bochecha, os olhos arregalados de choque e lágrimas.

—Como... como você ousa?!

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