A atmosfera da festa mudou após o anúncio de Dona Helena. Clara de repente se viu cercada por pessoas que, momentos antes, a ignoravam. Médicos, pesquisadores e investidores agora a parabenizavam, ansiosos por discutir o projeto. Ela lidou com a atenção com a mesma graça calma de antes, mas por dentro, sentia uma centelha de algo que não sentia há muito tempo: orgulho.
Foi nesse momento que uma nova figura entrou no salão, atrasada e barulhenta.
—Vovó! Feliz aniversário!
Júlia Montenegro, prima de Arthur, abriu caminho pela multidão. Ela era jovem, bonita, e vestida com um mini vestido brilhante que era totalmente inadequado para a ocasião formal. Ela abraçou Dona Helena com um entusiasmo exagerado.
—Desculpe o atraso, eu estava presa em uma prova terrível na faculdade de direito. Mas eu trouxe seu presente!
Ela entregou uma pequena caixa de veludo para a avó. Dona Helena a abriu, revelando um broche de diamantes e safiras, grande e ostensivo.
—É lindo, minha querida. Obrigada.
—Ah, eu não posso levar o crédito. — disse Júlia, com uma risadinha. — A Isa me ajudou a escolher. Ela tem um gosto impecável! Sabe, a Isabela Ferraz.

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