A mansão da Família Montenegro estava deslumbrante, iluminada por centenas de velas e lustres de cristal. Era o aniversário de oitenta anos de Dona Helena, e a elite de Nova Esperança estava presente. Políticos, empresários, socialites, todos circulavam pelo grande salão, as conversas um zumbido baixo de poder e privilégio.
Clara usava um vestido de seda azul escuro, simples, mas elegante. Como nora da casa, seu dever era ficar ao lado de sua sogra, Lívia Montenegro, e receber os convidados. Ela desempenhava o papel com uma graça e dignidade impecáveis, sorrindo, cumprimentando, a personificação da esposa perfeita.
Lívia, no entanto, estava irritada.
—Onde está o Arthur? — ela sibilou para Clara, por trás de um sorriso forçado para um senador que passava. — Já são quase nove horas. É o aniversário da avó dele! Que tipo de esposa é você, que não consegue nem fazer seu marido chegar na hora?
A culpa, como sempre, era dela. Clara não respondeu, apenas manteve o sorriso no rosto.
Finalmente, Arthur chegou. Ele entrou no salão, atraindo todos os olhares, o poder e o carisma dele eram quase palpáveis. Ele se desculpou com a avó, beijando sua mão, antes de se misturar aos convidados, mantendo uma distância calculada de Clara.
O ponto alto da noite foi o discurso de Dona Helena. Ela se levantou, e um silêncio imediato caiu sobre o salão. Sua presença era magnética.
—Obrigada a todos por virem celebrar comigo. — sua voz era forte e clara. — Um octogésimo aniversário é um marco. É um momento para olhar para trás, mas também para olhar para o futuro. O futuro da nossa família e de nossos empreendimentos.

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