Em vez de se encolher sob o peso das acusações, Clara ergueu o queixo. A calma em seu rosto era uma arma que eles não esperavam. Ela olhou diretamente para o Dr. Farias, mas sua pergunta foi dirigida a toda a sala.
—Peço desculpas a todos pelo meu atraso. — sua voz era clara e firme, sem um pingo de pânico. — No entanto, para que eu possa evitar tal erro no futuro, alguém poderia, por favor, me informar o nome do novo grupo de trabalho onde a convocação para esta reunião foi enviada?
A pergunta simples mudou toda a dinâmica da sala. Deixou de ser sobre o atraso dela e passou a ser sobre o processo.
—Eu pareço ser a única assistente sênior que não foi incluída neste grupo. — ela continuou, o tom puramente factual. — Eu verifiquei meu e-mail e minhas mensagens. Não recebi nenhum convite. Isso me leva a crer que minha exclusão foi deliberada. O que, se não me engano, se qualifica como assédio e exclusão no ambiente de trabalho.
O silêncio na sala agora era desconfortável. Os diretores se entreolharam. A acusação de Clara era séria e tinha sido feita publicamente.
Isabela empalideceu. A armadilha havia se voltado contra ela.
—Isso... isso deve ter sido um descuido terrível da minha assistente! — gaguejou Isabela, tentando se recuperar. — Oh, meu Deus, Clara, eu sinto muito! Com tantas coisas acontecendo, devo ter me esquecido de verificar se você havia sido adicionada. Peço mil desculpas.
A desculpa era esfarrapada, e todos sabiam.
Um dos diretores mais velhos pigarreou, o rosto severo. — Dra. Ferraz, garanta que isso seja corrigido imediatamente. A comunicação departamental deve ser inclusiva.
—Sim, senhor. Claro. — disse Isabela, fuzilando Clara com o olhar. — Convidarei a Dra. Mendes para o grupo assim que a reunião terminar.
Clara havia vencido. Ela não sorriu. Apenas assentiu e foi se sentar em uma cadeira vazia no canto da sala.

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