Arthur só soube que Clara estava hospitalizada dois dias depois. Ele chegou em casa e a encontrou vazia. Foi a Sra. Fátima quem, com o rosto cheio de uma desaprovação silenciosa, finalmente lhe contou.
—A Dra. Mendes está no hospital desde sexta-feira, senhor. Um homem a atacou no consultório.
Arthur sentiu um gelo estranho se formar em seu estômago. — Atacou? Como assim? Por que ninguém me avisou?
—Ela pediu para não o incomodarmos.
Ele não foi imediatamente. Uma parte dele, a parte orgulhosa e teimosa, estava irritada por ela ter escondido isso. A outra parte... sentia algo que ele se recusava a nomear.
A polícia ligou para Clara mais tarde naquele dia. O homem que a atacou havia sido encontrado. Mas a notícia não trouxe justiça.
—Ele tem um longo histórico de doença mental, Dra. Mendes. Esquizofrenia paranoide. Ele não se lembra do incidente. Não podemos processá-lo criminalmente. O máximo que podemos fazer é conseguir uma ordem de restrição e uma compensação financeira.
Outro beco sem saída. Outra injustiça que ficaria impune.
Naquela noite, a escuridão do quarto do hospital foi quebrada quando a porta se abriu silenciosamente. Arthur entrou, a silhueta alta recortada contra a luz do corredor.
Ele ficou parado por um momento, apenas a observando na cama.
—Por que você não me contou? — sua voz era baixa, quase um sussurro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Seis Anos em Vão