—Pelo amor de Deus, filha! Pense no seu irmão! — Lúcia Mendes se agarrou ao braço de Clara, o corpo tremendo com soluços. — Orgulho não vai tirá-lo da cadeia!
Clara olhou para o rosto desesperado de sua mãe, para a derrota completa nos olhos de seu pai. Ela estava encurralada pela única arma contra a qual não tinha defesa: o amor por sua família.
—Eu faço. — a palavra saiu como vidro quebrado de sua garganta.
A viagem para o hospital no carro de Arthur foi uma tortura silenciosa. Ele dirigia, o rosto uma máscara de triunfo frio. Ela olhava pela janela, a paisagem de Nova Esperança passando como um borrão, o coração morto em seu peito. Ela não era mais uma pessoa. Era um sacrifício.
Eles entraram no quarto privado de Isabela. Ela estava sentada na cama, vestida com um pijama de seda, parecendo a imagem da inocência frágil e ferida. Um pequeno sorriso vitorioso brincou em seus lábios quando viu Clara.
Clara caminhou até o pé da cama. Ela não se ajoelhou. Em vez disso, ela fez algo muito mais chocante.
Ela se curvou para a frente em uma reverência profunda e formal, as mãos unidas na frente do corpo, como se estivesse em um funeral.
—Primeiro, eu, Clara Mendes, peço perdão por existir, Dra. Ferraz. A minha presença neste mundo claramente lhe causa um grande sofrimento.
Ela se endireitou e se curvou novamente, ainda mais fundo, o cabelo caindo para a frente.
—Segundo, eu peço perdão por respirar o mesmo ar que a senhora. Prometo tentar corrigir esta falha grave no futuro, talvez prendendo a respiração indefinidamente em sua presença.
Ela se endireitou e fez uma terceira e última reverência, a mais lenta e profunda de todas, quase tocando o chão.

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