A humilhação final não aconteceu em um corredor de hospital ou em um restaurante sofisticado. Aconteceu no coração do império dele. Desesperados, sem notícias de Thiago e incapazes de falar com Clara, seus pais foram até o prédio do Grupo Montenegro. E fizeram uma cena.
Quando Clara chegou, chamada por uma Renata de voz mortificada, encontrou-os no imenso e intimidador escritório de Arthur. Seu pai e sua mãe, que sempre pareceram tão grandes e autoritários em sua pequena casa, agora pareciam pequenos e impotentes, engolidos pela vastidão de mogno e vidro.
—Sr. Montenegro, por favor... nosso filho é um bom menino! — implorava sua mãe, torcendo um lenço nas mãos.
Arthur os olhava de trás de sua mesa, não com raiva, mas com um desprezo frio e entediado.
—Bons meninos não acabam na cadeia. — ele disse, a voz suave como seda e afiada como navalha. — Vocês não estão em posição de exigir nada. Vocês não têm nada de valor para me oferecer em troca da liberdade do filho de vocês.
A porta se abriu e Clara entrou, o rosto pálido de fúria.
—Deixe meus pais fora disso. A sua briga é comigo.
Arthur sorriu, um sorriso que não alcançou seus olhos. Era o sorriso de um jogador de xadrez que acabara de encurralar a rainha do adversário.

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