—São complicações da minha recuperação. — disse Isabela a Arthur mais tarde, deitada na cama do hospital, a mão em sua testa como uma heroína de tragédia. — O médico disse que a minha cesárea não cicatrizou bem. O estresse... o estresse emocional está me causando dores terríveis. Eu preciso de cuidados constantes, de repouso absoluto.
Ela olhou para ele com os olhos grandes e suplicantes, cheios de lágrimas não derramadas.
—Eu sei que é pedir muito, Arthur, mas... a Clara é a melhor médica que conheço. Se ela pudesse cuidar de mim, apenas por algumas semanas, até eu me recuperar... eu me sentiria tão mais segura.
A audácia do pedido era de tirar o fôlego. Ela não queria apenas derrotar Clara; ela queria escravizá-la.
—Não. — a recusa de Arthur foi imediata e firme. Até ele tinha um limite para a farsa. Forçá-la a ser enfermeira de sua rival era um passo que ele, por alguma razão que não quis examinar, não estava disposto a dar.
Mas ele não a deixou de mãos vazias. A punição dele, o controle dele, assumiu outra forma, mais sutil e, talvez, mais cruel.
No dia seguinte, um novo memorando, frio e impessoal, foi distribuído no Hospital Santa Catarina.
"Por ordem da diretoria, e para otimizar os fluxos de trabalho departamentais, a Dra. Clara Mendes, atualmente no pronto-socorro, será temporariamente redesignada. Suas funções serão servir como médica assistente sênior, respondendo diretamente e em todas as capacidades à Chefe do Departamento de Cirurgia, Dra. Isabela Ferraz."

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