O café com Pedro Rocha era um oásis de calma em meio ao caos. Ele a encontrou em um lugar discreto, longe dos olhos curiosos do hospital. Ele não fez perguntas sobre o drama da gravação, que já havia se tornado a nova fofoca do Santa Catarina. Ele apenas lhe entregou um envelope pardo.
—Meus contatos na polícia conseguiram uma confissão dos homens daquele jantar. Eles não falaram o nome da Isabela. Estão com muito medo.
O coração de Clara afundou. — Então...
—Mas eles disseram quem pagou. — Pedro a interrompeu. — Ou pelo menos, a empresa que pagou. Eles não deram um nome, apenas um bilhete.
Ele tirou um pequeno pedaço de papel dobrado do envelope. Nele, escrito à mão, estava uma única palavra. Um nome de uma empresa.
"H-Corp".
A sigla atingiu Clara como um soco. H-Corp. A holding de investimentos que Arthur Montenegro usava para seus projetos mais secretos e agressivos no mercado. A empresa era a personificação de seu poder e de sua crueldade nos negócios. Era a assinatura dele.
Então, a ordem viera dele. Ele queria que ela fosse humilhada. Queria que ela fosse quebrada. Aquele "desempenho" que ele exigia era muito mais sinistro do que ela imaginava.

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