O hospital se tornou uma prisão. Clara estava suspensa de suas funções, aguardando uma "investigação" sobre o "incidente". A verdade do vídeo havia sido ofuscada pelo drama do sangue.
Ela caminhou pelos corredores como uma sombra, a caminho da saída, quando passou pelo quarto de Isabela. A porta estava entreaberta. Ela não queria olhar, mas a voz de Arthur a fez parar.
—... não se preocupe com o vídeo. Eu cuido disso. — ele estava dizendo, a voz baixa e tranquilizadora.
Ela ouviu a voz trêmula de Isabela.
—Mas e se eles não acreditarem em mim? E se... e se você não acreditar em mim? Arthur... você acredita em mim, não é? Acredita que eu nunca faria mal a ninguém, que ela me levou a isso?
Houve uma pausa que pareceu durar uma eternidade. O coração de Clara martelava contra suas costelas, uma parte tola dela ainda esperando um milagre.
A resposta de Arthur destruiu essa parte para sempre.
—Eu sempre vou acreditar em você.
Chega. Era o fim. Clara se virou e foi embora, as palavras ecoando em sua mente.
Seu dia piorou. Ela passou a tarde visitando os escritórios de advocacia mais proeminentes da cidade. A resposta era sempre a mesma, polida e final.
—Sinto muito, Dra. Mendes, mas não podemos pegar o caso do seu irmão. Temos uma política estrita contra casos que possam criar um conflito de interesses com nossos principais clientes.
O Grupo Montenegro era um cliente principal para todos. A influência de Arthur havia criado um muro legal intransponível.
Quando ela estava saindo do último escritório, derrotada, ele a esperava no corredor de mármore.
—Procurando ajuda? — ele perguntou, a voz fria.

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