A porta do consultório se abriu com uma força que a fez bater contra a parede. Arthur Montenegro parou no limiar, o olhar passando rapidamente pela expressão chocada de Clara para a cena horrível que se desenrolava.
Isabela estava de pé, o sangue vermelho vivo escorrendo por seu pulso, pingando no chão branco e limpo do consultório. A faca de frutas caiu de sua mão com um baque metálico. Seus olhos estavam fixos em Arthur, cheios de lágrimas e de um triunfo desesperado.
—Isa!
O grito dele foi visceral. Em um piscar de olhos, ele cruzou a sala, o pânico tomando conta de suas feições geralmente controladas.
Clara, o choque inicial dando lugar a seus instintos de médica, também se moveu.
—Pegue o kit de primeiros socorros! Precisamos aplicar pressão! — ela disse, estendendo a mão para o braço de Isabela.
Antes que pudesse tocar nela, Arthur a empurrou para o lado com uma força brutal. O empurrão a fez tropeçar para trás, batendo na estante de livros. A dor aguda em seu ombro não foi nada comparada à dor do gesto dele.
—Não chegue perto dela! — ele rosnou, os olhos fuzilando-a com um ódio puro. — Você já não fez o suficiente?

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