A vingança de Clara chegou na manhã seguinte. Não foi uma tempestade, foi um e-mail. Um único arquivo de vídeo, enviado anonimamente de um endereço de e-mail temporário, pousou na caixa de entrada de todos os membros do conselho, diretores e chefes de departamento do Hospital Santa Catarina. O assunto era simples: "A verdade sobre o incidente na escadaria".
O vídeo, curto e sem som, era devastador em sua clareza. A imagem granulada da câmera de segurança, agora restaurada, mostrava cada movimento. Mostrava Isabela agarrando a mão de Clara. Mostrava Isabela usando a mão de Clara para se estapear. E mostrava Isabela se jogando, com um floreio teatral, pelos degraus.
Em menos de uma hora, o incêndio começou. As pessoas que antes sussurravam sobre a "ladra ciumenta" agora olhavam para Isabela com desprezo. A vítima se tornou a vilã. Sua reputação, construída com tanto cuidado, desmoronou em uma pilha de pixels.
Isabela, pálida de fúria, invadiu o consultório de Clara, batendo a porta atrás de si. A máscara de donzela indefesa havia se desintegrado, revelando o rosto feio e contorcido do ódio.
—Sua vadia! O que você fez?! Como conseguiu esse vídeo?!
—A verdade sempre encontra um caminho, Isabela. — disse Clara, que estava calmamente sentada atrás de sua mesa, a postura impecável.
—Você acha que isso acabou? Você acha que me destruir na frente de todos vai te trazer alguma coisa? — Isabela riu, uma risada aguda, à beira da histeria. — Você pode ter o respeito deles de volta, mas nunca terá o Arthur! Ele me ama! Ele sempre me amou! Ele era meu muito antes de você aparecer! Ele só se casou com você porque foi forçado, por um acordo estúpido entre famílias! Ele nunca te tocou com amor, tocou? Ele nunca te olhou como olha para mim!
A confissão venenosa jorrou dela, uma torrente de insegurança e ciúme de longa data. Era a sua verdade, e ela a usava como uma arma.
Clara a observou, impassível, deixando-a esvaziar todo o seu veneno. Quando Isabela finalmente parou, ofegante, Clara pegou uma simples caneta preta de seu porta-lápis. Ela a segurou entre os dedos e a colocou deliberadamente sobre a mesa, o corpo da caneta apontando diretamente para Isabela.

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