Entrar Via

Seis Anos em Vão romance Capítulo 31

A imagem de Clara se afastando no estacionamento escuro assombrou Arthur. A finalidade em seu olhar, a completa ausência de dor, o perturbou de uma forma que ele não conseguia nomear. Ele estava acostumado com a dor silenciosa dela, com sua luta contida. Aquela indiferença era nova. E insuportável.

No dia seguinte, no hospital, Isabela o encontrou perto do café, o rosto uma máscara de preocupação.

—Arthur, eu sei que a Clara me odeia. Vê-la com aquele homem ontem... talvez seja melhor eu pedir demissão, me afastar. Eu não quero ser a causa de mais problemas para você.

Ela esperava consolo, talvez uma negação veemente. A resposta dele a surpreendeu.

—Não seja ridícula. — ele disse, a voz sem paciência. Ele a encarou, o rosto sério e indecifrável. — Apenas... fique longe dela.

—Mas por quê? Eu só quero tentar me dar bem com ela...

—Porque ela não é simples como você. — as palavras saíram antes que ele pudesse filtrá-las. — A mente dela é complicada, ela guarda tudo. Fique longe dela, ou você vai se machucar. Não a provoque mais.

A advertência soou como uma proteção para Isabela, mas nas entrelinhas havia um respeito relutante pela resiliência de Clara. Era como alertar alguém para não cutucar um animal ferido que, apesar de tudo, ainda podia morder.

Naquela noite, Arthur voltou para o apartamento. A sala estava escura e silenciosa. Um copo d'água meio vazio estava sobre a mesa de centro. Prova de que ela esteve ali. Ele caminhou até a porta do quarto dela, hesitando com a mão na maçaneta. Ele deveria ir para o quarto de hóspedes, como sempre fazia. Era a rotina fria de seu casamento.

Mas a imagem dela no estacionamento voltou. A indiferença dela. A liberdade dela.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Seis Anos em Vão