As luzes da entrada de emergência do Hospital Santa Catarina eram ofuscantes. Pedro estacionou o carro e ajudou Clara a sair, o paletó dele ainda envolvendo seus ombros.
Eles estavam a poucos passos da porta quando uma figura saiu das sombras.
Arthur Montenegro estava ali, encostado em seu próprio carro, os braços cruzados. Ele estava esperando.
Seus olhos passaram por Clara, notando sua blusa rasgada e o cabelo desgrenhado, e pousaram no paletó de Pedro sobre ela. Um sorriso de escárnio tocou seus lábios.
—Vejo que você se recupera rápido dos seus infortúnios, Dra. Mendes. Já encontrou um ombro amigo para chorar.
A crueldade daquelas palavras, depois do inferno pelo qual ela acabara de passar, foi a gota d'água.
Clara sentiu algo se quebrar dentro dela, a última conexão, o último fio de esperança. Acabou.
Ela se virou para Pedro, a decisão tomada.
—Você pode me levar para outro hospital, por favor?
—Clara!
O grito de Arthur foi um trovão. Foi a primeira vez que ele a chamou pelo primeiro nome na frente de Pedro. Ele se moveu rapidamente, agarrando seu braço antes que ela pudesse entrar no carro novamente.
O movimento a virou de frente para ele, e a luz da entrada iluminou seu rosto.

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